Diário da Manhã

Loucura pra que te quero!

É delicioso o livro Elogio da Loucura de Erasmo de Rotterdam (1467-1536). A loucura é seu personagem principal à qual o autor outorga uma incrível e hilariante capacidade de tergiversar sobre as incoerências e irracionalidades humanas.

Segundo a Loucura, a criança desde que nasce é cercada de uma atmosfera que encanta aos que a cercam por ser inconsequente, tagarela e encantadoramente louca, o que a faz irresistível a beijos, abraços e carícias.

Acredito que é por esses fatores que somos todos loucos por crianças, por que a alegria sem compromisso, a insensatez, o afã interminável por brincar, pular de lá para cá deixa-nos completamente apaixonados e incrédulos quanto à fonte de tanta energia e felicidade.

Mas a Loucura de Erasmo não para aí em sua análise. Ela alerta que não está só na criança, mas volta a visitar os humanos no final da vida, quando a morte se aproxima. A velhice sem a Loucura seria algo insuportável, por isso voltamos à infância. Os velhos repetem tudo, são tagarelas, entregam-se ao prazer, fazem o que querem, riem por nada, tomam vinho, comem devagar e têm folga de sobra para brincar. Erasmo escreve: “quem poderia suportar a conversa e a companhia de um velho que tivesse tanta presença de espírito quanto juízo e experiência?”

Lendo O Elogio da Loucura pode-se entender a magia que cerca a relação entre avós e netos. Quem convive com netos percebe algo louco e mágico na atmosfera dessa convivência. Sabemos desde sempre que somos avós e netos, por que o clima de amor incondicional, descompromissado, folgado e absolutamente prazeroso toma conta da convivência.

A infância convive muito bem com rugas e cabelos brancos. Crianças não percebem a decrepitude como nós, que em grande parte a negamos, tentando estender a juventude ao máximo, a lucidez integral até o final. Para Erasmo, “a tolice, o esquecimento, a indiscrição, tudo contribui para formar entre essas duas criaturas uma semelhança perfeita”, referindo-se à criança e ao velho. Para ele crianças e velhos se parecem, por que ambos não têm dentes, nem juízo, nem sensatez.

São as pitadinhas de loucura que estabelecem entre avós e netos uma deliciosa cumplicidade, uma identificação, uma oportunidade para os avós reeditarem situações de afeto que não tiveram oportunidade de exercer.

Vimos muitos avós mobilizando-se no Dia da Criança para distribuir amor por aí, considerando, com um pouco e loucura, que todas as crianças merecem ser acompanhadas por velhos meio doidinhos. 

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