Ainda sou deste mundo?

Desde que temos netos o cômodo mais frequentado passou a ser o nosso quarto. Desde a Cecília o quarto virou cenário de contos de fadas, de brincadeiras nas quais o pula-pula era a cama, de lutas campais entre primos, de ginástica forçada da qual saí – sempre – exausta, dolorida, mas sempre ofegantemente feliz.

As coisas nos últimos tempos mudaram. Tenho que atribuir aos jogos virtuais as mudanças que ocorrem no mesmo cenário. Estranhamente aquele menininho que gostava de histórias inventadas, começadas por ele e continuadas por mim, para serem retomadas por ele, sem que encontrássemos um jeito de chegar ao fim. Agora os personagens são seres que fazem barulhos que não conheço, têm nomes em inglês e movem-se em cenas onde não há limites de tempo e espaço.

Aquele jeito de ficarmos olhando-nos com interesse, falando sem parar, inventando situações acabou. Agora o menino, ou personagem, ou monstro, pula da cama para a poltrona, da poltrona para a cômoda e, cinematograficamente mergulha pro centro da cama, fazendo ruídos e falando uma linguagem ininteligível para leigos, ou velhos, ao vovôs. E aquele ser pede que eu continue a cena e eu tento, mas ele ri do absurdo, por que o monstro é indestrutível. Aí alguma coisa morre e o menino fala: “te trolei vovó!” e eu pergunto o que é trolar e ele fala que me enganou. Juro! Fico cansada tentando entender do mundo que se desenrola sobre meus lençóis. Por fim eu falo: “Lacrou!” e ele pergunta o que é lacrar. Me senti o máximo.

Dia desses conversávamos sobre como abordar adolescentes para que gostem de escrever sobre sentimentos e emoções. Alguém do grupo sugeriu alguns livros do tipo Harry Potter e Senhor dos Anéis dentre outros. Um amigo pedagogo ponderou que os mais velhos precisam estimular o que é real, precisam fornecer os clássicos para a criançada, para que não mergulhem muito fundo na fantasia e no virtual. Passei alguns dias pensando no que ele falou e não consegui chegar a uma conclusão, já que fui uma menina que adorava ler sobre aventuras fantásticas. Viajem ao Centro da Terra de Julio Verne era o máximo de fantasia a que tínhamos acesso.

Estou ansiosa por mais algumas sessões de jogos com meus netos. Com o mais velho a coisa é muito sofisticada, com os outros dois rolam aventuras da Patrulha Canina. Uivamos e cantamos e repetimos falas numa demonstração de memória sem precedentes. Mas logo essa fase mais amena dará lugar a alguma coisa talvez mais estranha e sofisticada a ponto de me fazer espectadora pura e simples. E me pergunto, como pode tudo acontecer com tanta rapidez?

Na expectativa de conseguir puxar os meninos para ESTE mundo, estou procurando por novidades dentro de mim e dentro de livros, sem esquecer que o fato de gostarem tanto do nosso quarto e tanto de brincar comigo seja um bom sinal. Acredito na simplicidade, nos beijos e abraços que são sempre tão profusos. Creio que voltaremos às barracas de cobertores, às histórias de bichinhos e de heróis não tão deletérios como os dos jogos.

Quase me perguntei enquanto brincava se ainda sou deste mundo. Mas sou sim, por que esses seres estranhos não amam como nós nos amamos. 

Comentários

Horários de Voos

Vôo Empresa Horários Destino (s) Frequência
VCP - PFB Azul 08:45:00 Passo Fundo segunda a sábado
VCP - PFB Azul 17:40:00 Passo Fundo segundas, terças, quartas, quintas, sextas e domin
VCP - PFB Azul 23:15:00 Passo Fundo segundas, terças, quartas, quintas, sextas e domin
VCP - PFB Azul 20:35:00 Passo Fundo sábados
PFB - VCP Azul 06:00:00 Campinas - SP todos os dias
PFB - VCP Azul 10:55:00 Campinas - SP todos os dias exceto aos domingos
PFB - VCP Azul 19:55:00 Campinas - SP todos os dias exceto aos sábados
FLN - PFB Azul 16:15:00 Passo Fundo Segundas, sextas e domingos
PFB - FLN Azul 18:20:00 Florianópolis Segundas, sextas e domingos

Matriz

Curta o Diário

(54)3316-4800Passo Fundo

(54)3329-9666Carazinho

  • Passo Fundo: (54) 9905-7864

    Carazinho: (54) 9959-5027