Diário da Manhã | Notícia, Jornal, Rádio, Passo Fundo, Carazinho

Estada em Paris

Minha estada em Paris começou na sexta. Encontrei a cidade em um clima escaldante, por estar em pleno verão. No primeiro domingo, mesmo sob o efeito do fuso horário, rumamos, Flávia, Paulo, Dante e eu, a um parque florido e arborizado.

Meu neto imediatamente acorreu a uma fonte enorme, de onde jorrava água em profusão, que, armazenada, formava uma piscina, onde crianças alvas como leite eram besuntadas com filtro solar. A água não passava de seus joelhos. Pais e babás revesavam-se em cuidar dos pequenos. As babás, no geral, eram profundamente negras, donde presumi tratar-se de imigrantes africanas.

Em um espaço grande todo gramado, uma turma de jovens executava exercícios aeróbicos, em sintonia com seus treinadores e com a música eletrizante usada para tal fim. Ao final dos exercícios, as pessoas alongaram, a música foi desligada e o gramado foi sendo tomado por outros personagens. Surgiram barraquinhas, pipas e moças de biquíni dispostas e tomar sol. Um casal fazia uma espécie de dança muito particular e de apelo quase erótico. O cenário era de praia, onde o mar não existe e onde o verão é curto. Não vi nenhum estranhamento quanto ao comportamento dos frequentadores.

A seguir, perto do meio-dia, percebi os preparativos para o almoço. Um grupo de africanos, envergando seus trajes típicos, enfileiraram algumas mesas do parque. Aos poucos as mulheres foram chegando, todas lindas e enfeitadas, com suas crianças ostentando enfeites nos cabelos e trazendo comidas muito bem acondicionadas. Não tive oportunidade de presenciar o almoço, mas acredito que deva ter sido delicioso e divertido.

Do outro lado do parque, onde nos instalamos para nosso parco pic-nic composto por sanduíches e água, pudemos conviver com famílias típicas do lugar. Presenciamos uma festa infantil, onde não faltaram enfeites, doces e comida de verdade, servida com louças e talheres, como se estivessem em casa. Estávamos no décimo quinto distrito, onde moramos, composto por prédios de no máximo sete andares, todos muito parecidos. A arquitetura dessas construções, típicas do período Belle Époque, exibe janelas que vem desde o chão, sacadas cheias de flores e ornadas com arabescos de ferro, por onde o vento corre livremente e ameniza o calor de uns trinta graus. As famílias dali, via-se, costumam reunir-se nesses espaços abertos para conversar, beber vinho e comer, enquanto as crianças  contam com parquinhos cheios de brinquedos.

Acredito que algumas pessoas estivessem ouvindo música, mas nunca sem fones de ouvido. Não havia uma música sobrepondo-se a outra. O que se ouvia eram risadas e conversas. Até a algazarra das crianças conseguia não interferir no espaço de ninguém. Fiquei impressionada com o grau de civilidade e de elegância com que aquela gente conseguia conviver em um domingo, onde havia bebida, sol, espaço público e gente que nem se conhecia, salvo nas rodinhas onde o almoço rolava apetitoso e super organizado.

Voltamos para casa caminhando devagar, observando os parisienses curtindo seu verão, onde o glamour que associamos a eles não esta nas vestes, mas em sua forma elegante de conviver, sem que o comportamento de um seja motivo de censuras, ou de julgamentos, ou de motivo para conversas maldosas. Imaginem uma pessoa de biquini estirada no centro da nossa praça principal, vocês conseguem?

Mas amo o meu Brasil eliminado da copa, conflagrado por uma democracia no mínimo bizarra, por um começo de campanha presidencial já marcado por distorções difíceis de aceitar. Pretendo aproveitar meu exílio de três meses na França para continuar observando e aprendendo. Acho que não faltarão oportunidades para que eu ensine alguma coisa também, por que, queiram ou não, somos felizes e cheios de projetos para o dia em que nos deixarem ser um povo de verdade, de cabeça erguida, fruto de um país livre e que não engessa, envergonha e denigre nossa imagem frente ao mundo. Somos muito mais do que esse arremedo de soberania de que dispomos. Queremos outra coisa e vamos lutar para isso. Au revoir!

Comentários

Horários de Voos

Vôo Empresa Horários Destino (s) Frequência
VCP - PFB Azul 08:45:00 Passo Fundo segunda a sábado
VCP - PFB Azul 17:40:00 Passo Fundo segundas, terças, quartas, quintas, sextas e domin
VCP - PFB Azul 23:15:00 Passo Fundo segundas, terças, quartas, quintas, sextas e domin
VCP - PFB Azul 20:35:00 Passo Fundo sábados
PFB - VCP Azul 06:00:00 Campinas - SP todos os dias
PFB - VCP Azul 10:55:00 Campinas - SP todos os dias exceto aos domingos
PFB - VCP Azul 19:55:00 Campinas - SP todos os dias exceto aos sábados
FLN - PFB Azul 16:15:00 Passo Fundo Segundas, sextas e domingos
PFB - FLN Azul 18:20:00 Florianópolis Segundas, sextas e domingos

Matriz

Curta o Diário

(54)3316-4800Passo Fundo

(54)3329-9666Carazinho

  • Passo Fundo: (54) 9905-7864

    Carazinho: (54) 9959-5027