Diário da Manhã

Especial | Passo Fundo 159 anos

Um lugar para reabilitar a alma

Um lugar para reabilitar a alma
Foto: Divulgação

Mais que uma comunidade terapêutica que ajuda homens a ficarem longe da dependência química, a Maanaim deposita na espiritualidade, disciplina e laborterapia a esperança de mudar as suas vidas

É numa casa a cerca de 40 km de Passo Fundo que aproximadamente 30 pessoas buscam voltar a ser o que eram. Arrependidas do rumo que tomaram e das suas consequências, elas tentam acostumar o seu organismo a ficar sem as drogas. Embora isso não seja uma tarefa fácil para nenhuma, elas depositam na disciplina, espiritualidade e laborterapia a esperança de , quando saírem, se manterem limpas.

O dia a dia na Maanaim Comunidade Terapêutica é atarefado e se compara ao de uma casa do interior. Seus moradores cuidam da horta e dos animais. Essa é considerada uma terapia ocupacional, cujo objetivo é encontrar soluções individuais e estratégias que promovam o maior grau de independência possível e ajudem a manter a melhor qualidade de vida.

A rotina é organizada e tem horário para tudo: para acordar, tomar café, para o despertar matinal, a laborterapia, os estudos bíblicos, o almoço, a integração, a janta e a espiritualidade, que é conduzida por um pastor. Há um horário livre para que eles cuidem de si mesmos, o utilizando também para fazerem o que gostam, como jogar bocha, futebol, fazer academia ou lavar roupa. Durante o tratamento, é claro, eles são acompanhados por psicólogos e enfermeiros para que a sua situação seja avaliada.

Aliando-se à laborterapia e à disciplina, está a espiritualidade, que é o que difere a Maanaim de outros espaços de reabilitação. A comunidade foi criada há 17 anos por um grupo de cristãos. A terapia espiritual é sentida como uma forma de melhorar a parte emocional dos pacientes. Orações e estudos bíblicos fazem parte de uma rotina que pretende resgatar os seus valores e melhorar a relação com as pessoas. “A espiritualidade busca os valores morais e familiares deles. É isso que nós queremos que eles resgatem. Durante a drogadição, eles perdem tudo isso”, define a secretária administrativa da comunidade, Liane Mansur.

O contato pessoal com a família acontece somente depois de 30 dias de internação, aos domingos. A convivência entre comunidade, seja através de uma conversa, um jogo de futebol e o apoio entre cada um, no entanto, ajuda a preencher a saudade e fortalece laços de amizade

Hoje designer gráfico, Jéferson, que tem 33 anos, é um dos homens que, depois de encontrar essa tríade e passar pelos 12 passos de recuperação, que começam pela aceitação, venceu a dependência química. Ele conheceu as drogas ainda na adolescência, acreditando que não lhe fariam mal. Aos 15, experimentou a maconha. Aos 17, a cocaína. Aos 21, passou a usar crack. A luta contra a dependência química começou quando a olhar para as perdas em sua vida e atingiu o seu ápice quando ele conheceu a comunidade.

Ele chegou à casa através da Justiça, depois de ter cometido um erro que o levou para a prisão. A reabilitação foi uma alternativa para que ele não cumprisse a pena comum. “Eu nunca fui de roubar. Vendia as minhas coisas. Quando estava no topo e conseguia tudo, recaía. O pessoal fez um assalto e eu guardei as coisas na minha casa. Me pegaram. Na delegacia, as pessoas sabiam que eu era de bem, mas diziam que não podiam fazer nada porque foi em flagrante e que eu podia apenas ir pra uma casa de reabilitação”, relata.

Foi nesse momento que Jéferson ouviu falar da Maanaim. Depois de ter passado por outras duas entidades, ele desacreditava na superação. Mas ela veio num período bem curto. “Lá, são três pilares: disciplina, trabalho e espiritualidade. Fui pra Maanaim só para me livrar da cadeia. Pensava que não ia levar a nada, mas, no primeiro mês, houve a transformação. Eu percebi que tinha que mudar e o meu pilar mais forte foi Deus”, diz.

O tratamento na comunidade costuma durar de nove meses a um ano, tempo o suficiente para que haja reflexões e novos sonhos. Jéferson descreve que gostava de estudar, mas a melhor parte de permanecer lá era a relação que mantinha com todos. “Uma das coisas que a gente faz quando tem consciência que precisa mudar é deixar os ‘amigos’, entre aspas mesmo, de balada e de rua. Gostava de interagir com o pessoal e hoje os meus amigos também são de lá”, relata.

A batalha não foi fácil Jéferson assim como não é para nenhum outro. Algumas recaídas podem ser encontradas pelo caminho. Mas, depois de ter seguido por ele durante tanto tempo, abdicado tantas coisas e ter ganho muitas outras, o que não pode é desistir. A persistência de Jéferson já dura quase cinco anos. São cinco anos longe das drogas, sem ingerir até mesmo bebida alcoólica.

Ele recuperou a saúde e os quase 20 kg que perdeu enquanto usava crack. Hoje, ele tem trabalho, casa, carro e o que mais valoriza: uma família. É na esposa e na filha, ainda pequena, que o futuro se desenha. “Você entra um homem e deixa ele lá. Sai sendo outro. A parte mais difícil é se conscientizar. Eu tenho uma vida nova, tenho tudo”, afirma.

Voluntários que mudam vidas
O ingresso dos residentes na comunidade deve ser voluntário. Voluntário, também, é o trabalho de quem está lá dentro os ajudando a voltar para casa. Psicólogos, enfermeiros, monitores, auxiliares e estagiários trabalham pela vontade de fazer a diferença na vida de alguém.

A Maanaim possui um convênio com a prefeitura, uma vez que não custa nada aos pacientes. Esse convênio dá conta de 12 vagas. Porém, a Maanaim tem 30 ocupadas. O resto delas deveria ser mantido por um convênio federal que chegava por intermédio da Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas (Senad), que cobria 20 vagas e foi cortado no final do ano passado. “A troca de governo complicou e o convênio foi cortado sem nenhuma explicação. A nossa situação está bem ruim e contamos com os empresários da região. Estamos correndo atrás de recursos”, idêntica o presidente da comunidade, Mário Luiz Vieira.

As despesas de 18 pacientes estão sendo pagas com a ajuda que vem de fora e que precisa continuar, já que, mesmo os diretores indo até Brasília para buscar o convênio, ainda não há previsões de que ele será restabelecido. Para ajudar, você pode ligar para o (54) 3313-1468 ou (54) 3601-3005 ou fazer um depósito na conta corrente 6689-3, da agência 0092-2 do Banco do Brasil.

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