Diário da Manhã

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Do Karatê de Carazinho para o Japão

Autor: Sérgio Augusto Cornélio
Do Karatê de Carazinho para o Japão
Fotos Divulgação/Arquivo Pessoal

Petrônio Nagahara Ribeiro começou seus primeiros passos nessa arte marcial, na época em que a Academia Shinkukan funcionava no Colégio La Salle. Hoje, mesmo residindo na Ilha de Honshu e sendo instrutor da JKA Japão, não esquece dos primeiros ensinamentos no município

Residindo atualmente em Ota-shi, Província de Gunma, na ilha de Honshu, no Japão, Petrônio Nagahara Ribeiro iniciou seus primeiros passos no Karatê-Do, na Academia Shinkukan, em Carazinho, que está comemorando esse mês, 35 anos de sua chegada ao município. Os ensinamentos que iniciaram no Brasil, se ampliaram no Japão, juntamente com os grandes mestres das artes marciais, dotando o karateca de uma técnica invejável. Petrônio, ainda muito lembrado pelos atletas e amigos carazinhenses de sua geração, nasceu em Itapetininga, no interior de São Paulo, onde seus pais eram missionários, mas chegou ao Rio Grande do Sul bem cedo, ainda usando fraldas, pois seu pai é passo-fundense.

Em entrevista ao Jornal Diário da Manhã, ele lembra do tempo em que ainda era menino, quando após concluir a 3a série do ensino fundamental, chegou a Carazinho. “Comecei a estudar no antigo Polivalente (Escola Érico Veríssimo), onde deixei muitos professores de cabelos brancos e foi ali que o Karatê entrou em minha vida. Até então eu não sabia que existia Karatê. Só conhecia o Judô, pois meu finado tio, descendente de japonês havia me ensinado alguns movimentos básicos”, explica. Um tempo depois quando foi a um mercado comprar carne para a mãe, Petrônio se deparou com um homem de kimono, aguardando atendimento em um balcão. “Eu perguntei se ele era professor de judô e ele me respondeu com uma voz de trovão. Não,karatê! Conheçe? Disse receoso. Então me falou sorrindo aparece no Colégio La Salle para conhecer, aí me despedi e sai em disparada para casa”, ressalta.

Após esse encontro casual, com o professor Alfredo Aires, o pequeno descente de japoneses convidou os amigos da rua onde morava, atrás do Posto Cavol. “Acabamos indo num dez colegas. Eu não deixava de assistir a nenhum treino, meus olhos brilhavam, mas não tinha condições financeiras. Esperava aprender os movimentos olhando. Mas mãe é mãe e mesmo com dificuldades ela fez um grande esforço e matriculou. Hoje entendo que temos que vencer todos os dias, não apenas campeonatos. Temos tantos degraus ainda, mas aprendi subir um a um sem pisar em ninguém. Amo o Brasil e me considero um gaúcho carazinhense, da terra do Bombeador”, enfatiza.

DISCIPLINA E DETERMINAÇÃO SÃO CARACTERÍSTICAS DO KARATÊ
Petrônio sempre procura colocar em pratica toda a base que teve e o que aprendeu no Japão, berço do Karatê. “Tenho treinos com ótimos mestres e instrutores de técnicas magníficas e de muitas agilidades. São precisos e disciplinados, mas avaliando como um todo, os atletas brasileiros não ficam atrás de ninguém no mundo. Nos temos garra, força de vontade e determinação e ótimos professores no Brasil. Claro, que existem diferenças culturais e muita disciplina e cobrança que pesam na balança no final”, avalia o karateca, citando que no Japão se treina todos os dias. Sua filha Akemi, por exemplo, vai às 7h30min para escola para treinar. As aulas começam às 8h30min até 14h30min. “Depois ela treina até 17h30min e nos sábados e domingos se faz campeonatos entre as escolas, isso em todas as modalidades esportivas”, revela.

“Quero parabenizar a todos que se dedicam ao esporte e ao ser humano, há esperança! Nunca esquecendo que as crianças de hoje são os adultos de amanhã! Não deixem nunca de investir nelas pois são elas que revolucionarão o mundo, desde que lhes seja mostrado o caminho certo”, recomenda. Petrônio atualmente é instrutor da JKA Japão, faixa preta 4° Dan e já se prepara para o 5° Dan. “Quando cheguei aqui fiz novamente todos os exames do 1° ao 4° Dan, dentro da sede mundial da Japan Karatê Association (Hombu Dojo) porque meu professor quis que tivesse avaliação aqui do Japão, não que a do Brasil não valesse aqui”, explica.

O karateca carazinhense também ganhou alguns campeonatos, entre eles, três vezes consecutivas a Copa Aniversário do Imperador. “Quero deixar meu grande abraço aos colegas, amigos e irmãos. Se se um dia puder ajudar de alguma forma o povo carazinhense e os caratecas será uma honra. Parabéns pelos 35 anos da Academia Shinkukan”, comemora.

CURSO E CAMPEONATO ESTADUAL MARCAM OS 35 ANOS DA ACADEMIA SHINKUKAN
Inicia nesta quinta (6) e encerra no sábado (8), tendo como local o Ginásio do Grêmio Aquático, as disputas do XII Campeonato Estadual JKA de Karatê-Do, nas categorias juvenil, adulto e master. Além de competidores deverão estar presentes alunos de diversas academias do Estado, para participar do curso com os mestres japoneses Shihan Mitsuo Inoue e Kazuo Nagamine, que vêm da Argentina e de São Paulo. O evento marca os 35 anos da Academia Shinkukan e da vinda do Karatê para Carazinho, através do professor Alfredo Aires, faixa-preta 7º Dan, atual presidente da Comissão Técnica da Federação Sul Riograndense de Karatê Do Tradicional e diretor de eventos da Confederação Brasileira da modalidade. O ingresso para o público será a doação de 1 Kg de alimento não perecível, que posteriormente será repassado para entidades carentes do município.

Em 1982, o Karatê foi trazido para Carazinho, por Alfredo Aires, na época faixa marrom, recém chegado do Uruguai. As aulas primeiramente eram realizadas na antiga Academia Dóris, no Bairro Princesa. Em um segundo momento se transferiu para o Colégio La Salle, onde permaneceu por cinco anos, passando por outros locais, expandindo para outros municípios da região, como Passo Fundo, Não-Me-Toque, entre outros. Mais tarde Alfredo fixou residência em Porto Alegre, onde está instalada a atual academia Shinkukan, organizando desde aquela época a modalidade no Estado.

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