Diário da Manhã

Saúde

Epidemia preocupa autoridades de saúde

Autor: Daniel Rohrig
Epidemia preocupa autoridades de saúde
Foto: Agência Brasil

De acordo com o Serviço de Atendimento Especializado (SAE) de Passo Fundo, casos notificados de sífilis congênita aumentaram 1.200% em seis anos

Uma ferida aparentemente inofensível que pode se manifestar em diversas partes do corpo, geralmente afetando as regiões íntimas. A simplicidade dos sintomas é um dos fatores que dificulta a detecção da sífilis e contribui para o aumento alarmante dos casos em todo o país. De acordo com o Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Sul (Simers) o estado foi o líder no ranking nacional de casos de sífilis adquirida em 2015, com 111,5 casos a cada cem mil habitantes.

A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível causada pela bactéria treponema pallidum que se manifesta em homens e mulheres. Existem várias formas de contrair a doença, sendo a principal delas atribuída ao sexo sem proteção. Outra forma de contágio é através de transfusões de sangue contaminado com a bactéria causadora da doença. Em gestantes portadoras da sífilis, o bebê pode ser afetado e sofrer graves complicações como aborto, morte do recém-nascido e má formação congênita.

De acordo com a ginecologista e obstetra, Valéria Winkaler Jeremias, a doença pode ser classificada em três níveis. “A sífilis primária corresponde a primeira aparição das úlceras no corpo. Se o paciente não identificar logo de início, a doença pode apresentar uma ligeira melhora. O nível secundário se manifesta algumas semanas após as feridas terem desaparecido, só que de forma mais intensa, acompanhada de outros sintomas como dor de cabeça e indisposição. Na etapa terciária, a doença pode danificar os órgãos do organismo, incluindo o cérebro, nervos, olhos, coração, vasos sanguíneos e afetar diretamente o sistema nervoso. Isto pode levar anos até que aconteça” explica Valéria.

Os dados fornecidos pelo Serviço de Atendimento Especializado (SAE) da Secretaria Municipal de Saúde de Passo Fundo são preocupantes. Em 2010, foram nove casos de sífilis congênita notificados. Em 2016, este número saltou para 113 casos, representando um aumento de 1.200% em apenas seis anos. A sífilis congênita ocorre quando a gestante transmite a doença para o bebê. Segundo a enfermeira do SAE, Seila de Abreu, nos últimos dois anos, os casos aumentaram significativamente no município. “A percepção que nós temos é que a população não se preocupa mais em utilizar os métodos de proteção nas relações sexuais. Parece que as doenças sexualmente transmissíveis não causam mais espanto e é justamente este hábito que contribui para estes números altos de sífilis e outras doenças” comenta a enfermeira.

No âmbito de casos entre homens e mulheres, o número preocupa ainda mais. O banco de dados do SAE, registrava em 2010, apenas seis casos de sífilis notificados. Seis anos depois, o número aumentou exponencialmente para 590 casos, em 2016. “Mesmo tratando a sífilis, a população pode estar sujeita a um novo contágio se permanecer tendo por hábito não usar preservativos. Isso causa uma espécie de círculo vicioso e todo o trabalho de tratamento acaba não surtindo efeito” pondera o SAE.

O mesmo cenário é observado pelo Núcleo de Vigilância Epidemiológica do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP). No maior hospital do interior do estado, os casos de sífilis adquirida praticamente superaram todas as notificações registradas em todo o ano passado. Em 2016, foram 69 casos registrados. Até outubro deste ano, já foram 67 notificações. Em contrapartida, o número de gestantes com sífilis caiu significativamente em relação ao ano passado. Se em 2016 o hospital havia registrado 165 gestantes portadoras da doença, 2017 registrou até agora apenas 86 casos. Em outras palavras, menos gestantes com sífilis pode representar uma redução nos índices de contaminação de bebês pela doença.

Tratamento simples, porém eficaz

O Ministério da Saúde confirma a hipótese levantada pelos profissionais, elencando o sexo desprotegido como o principal motivo para o atual cenário. Contudo, o tratamento indicado para a sífilis é relativamente simples, com a aplicação de penicilina, antibiótico que combate a bactéria. “Tanto os testes rápidos para o diagnóstico da sífilis quanto a penicilina que é usada no tratamento pode ser encontrada de forma gratuita em todas as unidades de saúde de Passo Fundo. A gente também ressalta que a população utilize preservativos para evitar a contaminação e evitar o agravamento deste cenário” explica a enfermeira do SAE, Seila de Abreu.

Nas gestantes, o exame para identificar a sífilis é obrigatório durante o acompanhamento pré-natal. A ginecologista e obstetra, Valéria Winkaler, explica que os testes rápidos são efetuados desde a primeira consulta. “Geralmente este acompanhamento ocorre por três trimestres, durante toda a gestação. Em caso de manifestação da bactéria, podemos até requer um exame de sangue mais completo. Tendo a confirmação, é necessária a notificação compulsória, ou seja, todos os casos de sífilis assim como outras doenças do gênero devem ser notificadas aos órgãos de saúde imediatamente” pontua a profissional. Nestes casos, o tratamento dura em média de três semanas, com aplicações regulares de penicilina, tanto na gestante quanto no parceiro.

Controle mais rigoroso

Se o número atual dos casos de sífilis já causa espanto das autoridades de saúde, o cenário pode ser ainda mais grave. Mesmo que a notificação seja garantida por lei, grande parte dos casos não é notificada. O Ministério da Saúde trata a atual situação como uma epidemia e alerta para a conscientização a respeito da proteção e do sexo seguro.

Uma doença antiga

A infecção por sífilis não tem nada de novo. Os primeiros relatos da doença datam o século XV, em meados dos anos de 1490. Somente em 1905, a bactéria causadora da enfermidade foi identificada e passou a ser tratada adequadamente com antibióticos. Desde então, o foco na prevenção da doença tem sido o ponto chave para evitar cenários como o que o Brasil vivencia atualmente. A estimativa é que 12 milhões de pessoas adquiram a doença todos os anos, em que o assunto é tratado como caso de saúde pública, principalmente em países subdesenvolvidos.

Gráficos

Número de casos de sífilis congênita em Passo Fundo

Ano 2006                            Ano 2010

9 casos                                 113 casos

Fonte: SAE (Serviço de Atendimento Especializado

Número de casos de sífilis adquirida em Passo Fundo

Ano 2016                            Ano 2017 (outubro)

69 casos                              67 casos

Gestantes com sífilis

Ano 2016                            Ano 2017 (outubro)

165                                        86

Fonte: Núcleo de Vigilância Epidemiológica do HSVP

Comentários

Galerias de Fotos

Anuncie Aqui

Horários de Voos

Vôo Empresa Horários Destino (s) Frequência
VCP - PFB Azul 08:45:00 Passo Fundo segunda a sábado
VCP - PFB Azul 17:40:00 Passo Fundo segundas, terças, quartas, quintas, sextas e domin
VCP - PFB Azul 23:15:00 Passo Fundo segundas, terças, quartas, quintas, sextas e domin
VCP - PFB Azul 20:35:00 Passo Fundo sábados
PFB - VCP Azul 06:00:00 Campinas - SP todos os dias
PFB - VCP Azul 10:55:00 Campinas - SP todos os dias exceto aos domingos
PFB - VCP Azul 19:55:00 Campinas - SP todos os dias exceto aos sábados
FLN - PFB Azul 16:15:00 Passo Fundo Segundas, sextas e domingos
PFB - FLN Azul 18:20:00 Florianópolis Segundas, sextas e domingos

Baixe o Aplicativo do Jornal

Matriz

Curta o Diário

(54)3316-4800Passo Fundo

(54)3329-9666Carazinho

  • Passo Fundo: (54) 9905-7864

    Carazinho: (54) 9959-5027