Diário da Manhã

Política

O debate como agente motivador

Autor: Édson Coltz
O debate como agente motivador
Foto: Édson Koltz/DM

Atuante nacionalmente há cerca de três anos, o MBL passa a congregar passo-fundenses dispostos a instigar a discussão de posições distintas do estabelecido, sobretudo, no prisma político

Em período em que a polarização de ideias se ressalta na sociedade acompanhada de pouca tolerância - e sucedida, em muitas casos, de violência – deve-se lembrar da garantia ao contraditório, princípio constitucional inerente ao direito de defesa na esfera jurídica, mas que pode ser aplicado a ações do dia a dia na atual realidade. Num efeito prático, a teoria de “um” não deve ser entendida como única verdade e pode ser questionada desde que com argumentos fundamentados e, sobretudo, sem extrapolar a margem respeitosa. Com isso estabelecido, o Movimento Brasil Livre (MBL) traz a público propostas que contrariam muito do que ao longo do tempo passou a integrar o sistema, principalmente, político brasileiro, ao defender, por exemplo, uma intervenção menor do Estado.

Popular a partir das mobilizações em massa que ocorreram pelo país contra a corrupção e também em favor do impeachment da então presidente, Dilma Rousseff (PT), o Movimento já mobiliza mais de 2,5 milhões de pessoas nas redes sociais e trabalha, em paralelo, para estruturar núcleos que promovam a discussão e disseminação de proposições que integram sua pauta, agora, também em Passo Fundo. Até dezembro, um grupo de adeptos deverá promover na cidade um congresso para aproximar aqueles que compartilham das mesmas definições ou queiram apenas conhecer os objetivos do grupo com atuação nacional.

Entre os envolvidos diretos nessa regionalização do MBL está o estudante Jean Soster e o engenheiro Ricardo Schons Boller que, há cerca de 45 dias, junto a outros moradores da cidade, vêm se reunindo com frequência com o objetivo de alinhar a estruturação. “O pilar principal do MBL é levar informações que geralmente não são abertas à sociedade. Hoje, temos inúmeros instrumentos levando apenas um lado, o que o Governo acha melhor para si. Não é uma doutrinação, queremos levantar a informação e incentivar as pessoas a estudarem os dois lados da moeda para que elas optem por um, mas para isso precisamos mostrar”, citou Soster em entrevista ao Diário da Manhã, na sexta-feira (03). “Para as pessoas terem um contraponto e chegarem no seu raciocínio independente, estudar o assunto a fundo e não apenas dar a opinião baseada em vontade, preferências particulares, que embase a opinião em fatos concretos”, reforçou Schons.

Visão de Estado menor

O MBL não é um partido político, ainda assim tem propostas já definidas de políticas públicas tidas como necessárias para o desenvolvimento do país, destacando-se, entre elas, uma relação específica do Estado com o setor privado para o atendimento às necessidades da população nas mais diversas áreas, compreendendo, por exemplo, a saúde e a educação.

Esses tópicos estão em documento aprovado durante um Congresso Nacional realizado em 2015 que traz uma série de propostas, como a implementação de benefícios fiscais para pessoas físicas e jurídicas que custeiem educação de crianças e jovens de famílias que não podem pagar; a gestão privada de escolas públicas através de Organizações Sociais e Parcerias Público-Privadas; além da escola sem partidos. A imposição de uma visão esquerdista, inclusive, é apontada pelos integrantes do MBL como o usual nas instituições educacionais brasileiras o que contribuiria para a generalização de um sentimento receoso frente à outra ideologia. “Acreditamos que existe um certo preconceito quanto ao pensamento mais liberal, mais conservador, é visto com maus olhos pela sociedade, as vezes, sem saber o porque”, associa Ricardo Schons Boller.

Na saúde, citam a desburocratização de operadoras de planos de saúde; extinção de tributos que incidam sobre o sistema; a Concessão de benefício tributário a empresas e indivíduos que auxiliem no custeio de hospitais, clínicas e laboratórios de análise. “Que a sociedade tenha uma visão menos paternalista do Estado, aquela de que ele deve cuidar de tudo. Que tenhamos mais responsabilidade pelas nossas ações e pelo futuro do nosso país. Terceirizamos tudo para o Estado e sabemos que o Estado é incompetente. O serviço público não funciona”, considera Boller.

Na área econômica, os integrantes do Movimento defendem a necessidade de simplificar o sistema tributário e a “Revisão do capítulo econômico da Constituição (adotar a economia de mercado. Qualquer interferência do Estado deverá ser justificada e seus resultados, posteriormente avaliados)”, aponta o documento de propostas, disponível no site oficial do MBL. 

O entendimento, resume Boller, é de que o setor privado com a geração de empregos e o pagamento de salários, por exemplo, injeta mais recursos em circulação o que justificaria assim incentivos públicos, para “incentivar a abertura de pequenas empresas e reduzir impostos a essas que, as vezes, são podadas na sua fase de crescimento”. 

Envolvimento político

Apartidário, as posições defendidas pelo MBL encontram respaldo em candidatos eleitos no pleito de 2016 por diferentes siglas o que associa-se, conforme Soster, a um dos pilares do grupo que é o de apoiar, necessariamente, ideias. “Infelizmente, no Brasil temos uma lei que para poder se candidatar deve estar vinculado a um partido político. No país não há partido de Direita e quando não tem dois pontos de vista para analisar e decidir qual é melhor, quando há somente uma, a tendência do erro é grande. Hoje, temos políticos com pensamentos de Direita em partidos de Esquerda, por isso há confrontos. Quando se consegue alinhar o pensamento, é possível elevar um pouco o nível da qualidade da política brasileira. A função do MBL não é politica, financeira, é mais equilibrar os pontos de informação para a sociedade”, reiterou ele, ao confirmar o posicionamento à direita. “A linha de pensamento da MBL é único, construída através de um grupo social, do povo que está na rua”, finalizou.

Especificamente sobre o sistema político brasileiro, o MBL propõe o fim do voto obrigatório e do fundo partidário, além de candidaturas independentes para o Executivo e Legislativo, entre outros pontos.

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