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Estabilidade deve marcar preço do leite no primeiro semestre

Autor: Daniel Rohrig
Estabilidade deve marcar preço do leite no primeiro semestre
Foto arquivo DM

Com um dos menores preços dos últimos três anos, produtores estão descontentes com o baixo valor pago pelo produto no RS. De acordo com estimativas da Emater, valor deve se manter baixo, mas estável, pelo menos até julho de 2018

Em visita recente a Passo Fundo, o ministro do Desenvolvimento Social, Osmar Terra (MDB), comentou a respeito da grave crise no preço do leite no Rio Grande do Sul. Entre os motivos para a desvalorização do produto, o ministro citou a entrada avassaladora de leite uruguaio no Estado, bem como as medidas adotadas pela União para barrar o processo, que segundo a pasta, prejudicaria a balança comercial interna. Além de ações conjuntas com o Ministério da Agricultura para congelar as importações, o MDS firmou uma parceria com mais de 30 cooperativas de leite em pó gaúchas para tentar conter a baixa no valor de venda. “O que nós estamos vivendo é uma crise no preço de leite. O pequeno produtor está quebrando. Nessa parceria com as cooperativas, o Governo compra o produto por dois reais a mais sob o preço de venda para tentar ajudar as famílias que vivem da venda de leite. Essa solução é provisória, até que a situação fique estabelecida”, comentou Terra na ocasião.

No comparativo com 2015, este é um dos menores preços pagos pelo leite no RS. A Emater aponta que o preço médio atual gira em torno de R$ 0,80 a R$ 1,00 por litro do produto. Há dois anos, o produtor de leite chegou a receber R$ 1,60 pela mesma quantidade. Diante deste cenário, muitas propriedades abandonaram a produção leiteira na região, conforme uma pesquisa realizada em 42 municípios da região de cobertura da Emater Regional de Passo Fundo. Hoje, são 10 mil produtores que detém da produção de leite, número que reduziu 20% só no ano passado. A debandada ocorreu principalmente entre os produtores de baixa litragem (100 litros/dia).

O assistente técnico regional da Emater, Vilmar Wruch Leitzke, explica que a situação se agrava por diversos fatores. “Nós vivemos uma situação de preocupação por parte de quem vive em função da venda de leite. Ele vinha numa redução bastante significativa e no último semestre do ano passado, vivemos uma das maiores baixas. Isso porque diminuiu a demanda do produto e aumentou a oferta e o resultado dessa conta é a baixa imediata no valor. Mesmo assim, nós observamos entre novembro e dezembro uma estabilização do preço”, destaca Leitzke. O prognóstico não deve ser diferente para os próximos meses, visto que o mercado internacional já indica uma estabilidade do preço até julho.

O Rio Grande do Sul caminha entre a segunda e terceira posição no ranking de maior produtor de leite do país, disputando espaços com estados importantes dessa cadeia como Minas Gerais e Paraná. Como não há absorção dos estoques no mercado interno, o RS depende do escoamento para o mercado externo que também está saturado. “É uma bola de neve. Temos uma redução do consumo de leite, um período de maior produção e também uma competitividade interna no país, então o preço é pressionado para baixo. Por outro lado, se olharmos para o leite no mercado internacional que serve como parâmetro ao mercado interno, as perspectivas para os próximos seis meses não são diferentes do que já se tem hoje”, justifica o técnico.

Mercado interno

Os maiores compradores do leite gaúcho são os estados brasileiros com grande densidade demográfica, como São Paulo e Rio de Janeiro. Já o leite em pó processado no Rio Grande do Sul é vendido para o Nordeste do país. Neste cenário, o produto enfrenta uma competitividade com outros estados produtores como Minas Gerais e o Paraná. “O que implica nessa questão é a distância. Minas Gerais é o maior produtor de leite e está do lado dos nossos principais compradores. Então, o RS está em desvantagem por questões de frete e do transporte dessa mercadoria, que encarece a transação”, explica assistente técnico regional da Emater, Vilmar Wruch Leitzke.

Ainda na avaliação econômica, que leva em consideração o aumento de insumos que encarecem a produção de leite, como a gasolina, energia elétrica entre outros, o preço atual do produto está longe de ser rentável. “O produtor brasileiro vinha ganhando valores acima dos produtores de fora do país pelo leite. É claro que o que preocupa o agricultor, hoje, não é apenas o custo do leite e sim, a rentabilidade dele. São mais de 10 mil famílias que produzem na nossa região. A maioria entrou na produção pelo valor atrativo de R$ 1,60 mas que depois assistiu a desvalorização”, pondera Leitzke.

Alternativas de valorização do leite

Ainda em dezembro, o Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Estado do Rio Grande do Sul (Conseleite) e demais entidades debateram a redução de 10% na produção leiteira do Estado. O número corresponde a uma orientação do órgão aos produtores. A decisão deve-se ao fato da falta de reação do mercado nacional, que opera a preços muito abaixo do razoável, inviabilizando a atividade de produtores e indústrias, conforme destacou o presidente do Conseleite, Alexandre Guerra. “É consenso que a situação está péssima para o setor, tanto para a indústria quanto para o produtor”, pontou. Depois de registrar aumento em novembro como reflexo da suspensão das importações de leite do Uruguai, o projetado para dezembro ficou em R$ 0,8369, valor 3,83% abaixo do consolidado de novembro (R$ 0,8702). Segundo Guerra, o resultado refletiu o período de festas de fim de ano, quando o consumo de lácteos também enfrenta retração.

No encontro, também foram aprovados novos parâmetros de cálculo para o valor de referência do leite. A atualização, que demandou dois anos de pesquisa por parte da Câmara Técnica do Conseleite (Camatec), se fez necessária em função de mudanças tecnológicas e revisão de custos de produção na indústria. Segundo o professor da Universidade Passo Fundo, Marco Antonio Montoya, o novo levantamento atualiza parâmetros de 2005 para base 2016 e traz mudança substancial de rendimento na indústria e na participação da matéria prima (leite) em cada derivado produzido no RS. Representantes dos laticínios e dos produtores decidiram que os novos padrões entrarão em vigor em janeiro de 2018, colocando o valor de referência do RS mais alinhado com o dos estados de Santa Catarina e Paraná, que já implementaram os ajustes. A Câmara Técnica do Conseleite é formada por dois representantes da indústria e dois dos produtores, além da equipe técnica da Universidade de Passo Fundo (UPF), contratada para tabulação e análise dos dados divulgados mensalmente.

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