Diário da Manhã | Notícia, Jornal, Rádio, Passo Fundo, Carazinho

Saúde

Os 50 anos do primeiro transplante cardíaco

Autor: Daniel Rohrig
Os 50 anos do primeiro transplante cardíaco
Foto: Daniel Rohrig/DM

Na entrevista da semana, o cardiologista Júlio Teixeira fala a respeito do cinquentenário da primeira cirurgia cardíaca no mundo

Destaque no programa Diário Saúde da Rádio Diário AM 570 deste fim de semana, a entrevista com o cirurgião cardíaco, Júlio Teixeira, faz uma retrospectiva dos cinquenta anos do primeiro transplante cardíaco realizado no mundo. Confira um trecho dessa história:

1 – Em dezembro de 2017, completou-se cinquenta anos do primeiro transplante cardíaco realizado no mundo. Como foi o contexto de toda esta história?

Júlio Teixeira – É uma história muito interessante. Quando alguém necessita de um transplante, o caso do paciente é muito grave, visto que a substituição desse órgão acaba sendo a única forma de sobrevivência. E se do outro lado não houver uma família solidária que permita a doação, isso não se concretiza. O primeiro transplante cardíaco foi realizado no dia 03 de dezembro de 1967 na União Sul-africana (África do Sul) pelo cirurgião, Dr. Christian Barnard. Foi um paciente em fase terminal ao mesmo tempo em que houve um acidente envolvendo morte cerebral. No caso do primeiro transplante, os sinais vitais da vítima doadora ainda se mantinham, como ocorre em quadros de morte cerebral, porém o paciente não tinha mais condições de voltar ao seu estado normal. O primeiro transplantado conseguiu sobreviver por muito tempo com o coração novo. A partir daí a tecnologia cirúrgica se espalhou pelo mundo e facilitou os avanços da medicina. Depois de Barnard, vários centros no mundo começaram a realizar esse procedimento. No Brasil, meses após o primeiro transplante, São Paulo realizou o procedimento.

2 – E como a comunidade médica recebeu esta notícia aqui no país?

Júlio Teixeira – Na época, eu estudava na Universidade Federal de Santa Maria. Para nós, estudantes de medicina, aquele feito brasileiro entusiasmou o pessoal a estudar ao mesmo tempo que motivou outros países a avançar nessa área.   As notícias vinham até nós por revistas científicas da época, em que o assunto era discutido em congressos e seminários. Em seguida, ocorreu a criação de uma escola de cardiologia em São Paulo pelo mesmo médico que realizou o transplante. Esse marco prontamente estimulou os jovens estudantes a buscarem esta especialidade.

3- E quem foi o primeiro transplantado no Brasil?

Júlio Teixeira – O primeiro transplante de coração no país ocorreu em 26 de maio de 1968. O paciente, João Ferreira da Cunha, conhecido como “João Boiadeiro”, era portador da doença de Chagas com grave lesão no músculo cardíaco em fase terminal. Ele recebeu o coração de Luis Fernando de Barros, vítima de um acidente automobilístico. O cirurgião cardíaco, Prof. Euryclides de Jesus Zerbini, da Universidade de São Paulo, realizou o transplante e salvou a vida do paciente. A repercussão no Brasil foi imediata, com sentimentos que variaram da perplexidade ao justificável ufanismo. Para nós, estudantes de medicina, a figura do Cientista e humanista Prof. Dr. Zerbini tornou-se um ícone. O transplante cardíaco realizado pela equipe do Prof. Zerbini abriu caminho para que os demais cirurgiões cardíacos se especializassem.

4 – E o Rio Grande do Sul também teve um papel importante nessa trajetória dos transplantes cardíacos? Como foi esse processo?

Júlio Teixeira – Sem dúvida nenhuma. O Rio Grande do Sul foi o primeiro estado da federação a fazer o transplante fora do eixo Rio-São Paulo. Em 1984, Porto Alegre realizava o primeiro transplante no estado. O cirurgião cardíaco, Prof. Dr. Ivo Abrahão Nesralla, realizou o procedimento no Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul. A partir daí, nos consolidamos como o segundo maior centro de transplantes cardíacos do país. A questão do transplante em si, a parte mecânica, não era o maior problema e sim, os índices de rejeição. O órgão recebido era de uma outra pessoa, com características diferentes, o que facilitava a rejeição pelo organismo. O problema originou uma série de grandes pesquisas na parte de medicamentos para encontrar uma solução. Hoje, a partir desse processo, os índices são muito pequenos e a aceitação é sempre boa.

5 – E Passo Fundo? Quando começou a fazer parte dessa história?

Júlio Teixeira – Foi a partir de 1979. Porém, cerca de dez anos depois, já na década de 1990, um fato colocou a cidade em destaque como centro de cirurgia cardíaca no interior do estado. No mês de junho daquele ano o adolescente Itamar de Souza, 15 anos de idade, recebeu um novo coração por meio de uma cirurgia feito no Hospital São Vicente de Paulo de Passo Fundo. A equipe cirúrgica foi liderada pelos cirurgiões, Prof. Dr. Luis Sergio Fragomeni e Prof. Dr. Paulo Ceratti de Azambuja, auxiliados também por médicos cardiologistas clínicos e por uma equipe de anestesistas. O fato colocou nossa cidade em um patamar muito especial, pois Passo Fundo é a única cidade do Brasil fora das capitais que realizou um transplante cardíaco com sucesso. O Itamar pode assistir a Copa do Mundo de 1990 sem o sofrimento da sua doença.

Comentários

Horários de Voos

Vôo Empresa Horários Destino (s) Frequência
VCP - PFB Azul 08:45:00 Passo Fundo segunda a sábado
VCP - PFB Azul 17:40:00 Passo Fundo segundas, terças, quartas, quintas, sextas e domin
VCP - PFB Azul 23:15:00 Passo Fundo segundas, terças, quartas, quintas, sextas e domin
VCP - PFB Azul 20:35:00 Passo Fundo sábados
PFB - VCP Azul 06:00:00 Campinas - SP todos os dias
PFB - VCP Azul 10:55:00 Campinas - SP todos os dias exceto aos domingos
PFB - VCP Azul 19:55:00 Campinas - SP todos os dias exceto aos sábados
FLN - PFB Azul 16:15:00 Passo Fundo Segundas, sextas e domingos
PFB - FLN Azul 18:20:00 Florianópolis Segundas, sextas e domingos

Matriz

Curta o Diário

(54)3316-4800Passo Fundo

(54)3329-9666Carazinho

  • Passo Fundo: (54) 9905-7864

    Carazinho: (54) 9959-5027