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Esportes

Sem limites para sonhar alto

Autor: Daniele Freitas
Sem limites para sonhar alto
Foto: Arquivo

Campeão no salto em altura, Anderson Martins Fell acumulou conquistas no atletismo máster em 2017

Tudo começou em um domingo, tão distante que o ano mal se recorda em meio às lembranças de infância do educador físico Anderson Martins Fell. Em frente à televisão da sala, ele assistiu, impressionado, ao salto do cubano Javier Sotomayor superar a altura do travessão de uma goleira de futebol. Naquele instante, mesmo ainda criança, não titubeou. Com toda a liberdade e a coragem características dos primeiros anos de vida, o futuro atleta traçou os planos mais altos que pôde – e que iam muito além dos 2,45m assinalados pelo recordista mundial. Ali, nascia um saltador.

Os treinos começaram tímidos, ainda na sede do antigo quartel de Passo Fundo. Sem qualquer orientação, as passadas de Anderson eram guiadas exclusivamente pela vontade de ser um atleta. Na primeira competição que disputou, aos 12 anos, venceu a prova do salto em altura na Olimpíada dos Escoteiros. Nem mesmo o contato com outras modalidades no colégio superou o carinho especial pelo atletismo. “Em visita a uma antiga escola, conversei com o professor e descobri que havia a modalidade ali. Ele me desafiou a saltar e recebi o convite para fazer atletismo pelo colégio. Comecei, então, a treinar e segui até ingressar na universidade”, lembra.

No curso superior, os treinamentos ganharam um importante reforço: a saudosa câmera VHS. Em vídeo, Anderson registrava os movimentos de cada salto executado no ginásio da Universidade de Passo Fundo. Ao chegar em casa, as imagens eram utilizadas para reconhecer as falhas e aprimorar o treino seguinte. O perfeccionismo fez com que, justamente nessa época, Anderson conquistasse a melhor marca da carreira: 1,95m. O recorde não veio sozinho, mas acompanhado do convite para integrar a Seleção Gaúcha de Atletismo. “Quando fui para o Campeonato Brasileiro, eu não tinha sequer a sapatilha adequada para o salto. Como choveu bastante naquele dia, o piso ficou escorregadio. Acabei em quarto lugar e muito chateado, porque o vencedor saltou uma marca inferior ao que eu já havia conseguido saltar. A decepção só teve fim quando o responsável técnico pela Seleção olhou minha sapatilha e disse: você fez milagre”, recorda.

A sequência de conquistas precisou ser interrompida pela rotina de estudos e trabalhos. Aos 17 anos, Anderson se despediu do atletismo. “Naquele tempo, eu tinha lido que o auge do atletismo era aos 28 anos. Então, desde que parei, comecei uma contagem regressiva: tenho só mais oito, sete, seis, cinco anos pra voltar. Quando eu fiz 28 anos, pensei que havia acabado. Eu nem sonhava mais com isso. Por muito tempo, fiquei chateado, pensando que eu podia ter sido um grande saltador”, conta. O que parecia um “adeus”, no entanto, foi revelado pelo tempo como um “até breve”. Em 2016, a partir do convite de um amigo, o educador físico aceitou participar de um campeonato estadual máster, em São Leopoldo. O que era para ser apenas um encontro para reunir os velhos amigos se tornou uma oportunidade para que ele reencontrasse, também, a motivação para competir. “Fui para a competição sem a menor ideia do que iria acontecer. Quando cheguei lá, encontrei um senhor de 95 anos competindo em várias modalidades. Aquilo mexeu comigo. Comecei a perceber que eu conseguia competir de igual para igual com o pessoal da minha idade, ou seja, que existia um atletismo depois do auge”, explica.

O salto na competição gaúcha rendeu a Anderson o lugar mais alto do pódio. Mais do que isso: ele igualou o recorde gaúcho da categoria. A felicidade pela conquista catapultou a motivação para as provas seguintes. Com o incentivo da namorada, ele disputou, em 2017, o Troféu Brasil, uma competição nacional que lhe assegurou mais uma medalha dourada. “Ela viu que eu precisava disso e forçou para que eu fosse. Realmente, ela tinha toda a razão! Foi muito bom pra mim aquilo. Esse primeiro lugar, com a marca de 1,70m, me fez sonhar novamente com 1,75m ou 1,80m. Com esse índice, apareceu a ideia de disputar o Sul-americano, no Chile. O papel da minha namorada foi ainda mais importante: ela cuidou de todas as fichas e pagamento de taxas. Era ela que via tudo pra mim”, salienta.

O campeonato internacional, contudo, exigiria um sacrifício muito maior, que ia além da vontade e da dedicação que sempre acompanharam o Anderson a cada treinamento. Era preciso que mais alguém acreditasse naquele sonho. As despesas com a viagem necessitavam de um aporte financeiro de uma empresa que compartilhasse os mesmos ideais de uma vida saudável e ativa, independentemente da faixa etária. “Nós gostamos muito de tomar café e almoçar na Pantik. Eu sempre prezei por uma alimentação saudável e pela prática de atividade física e, para estar competindo em alto nível aos 40 anos, é preciso que esses hábitos estejam consolidados na vida do atleta. E é justamente essa a proposta da empresa. Então, conversei com a dona Neuza, que é uma das proprietárias, e apresentei a ideia para ela. Fechamos a parceria e eles me ajudaram a ir para o Chile”, conta. O terceiro lugar conquistado em solo chinelo consolidou um ano de superação no esporte. Com os resultados obtidos nas competições, Anderson alçou o posto de 60º no ranking mundial. “No tempo em que eu era atleta, em que eu era uma promessa, eu não vislumbrava essa possibilidade e, agora, isso aconteceu, no susto”, comemora.

Os projetos para 2018 são ambiciosos, assim como a vontade de encontrar mais espaço na estante para ostentar, com orgulho, cada troféu erguido às custas de muito suor e de muito trabalho. Entre os planos, estão a quebra do recorde estadual, a disputa do Campeonato Brasileiro em São Paulo e, até mesmo, o Mundial na Espanha. Se os gastos para competir são altos, em compensação, sonhar não tem custo. E é apostando na realização de sonhos que a trajetória de Anderson serve de inspiração para muita gente. “Realmente, eu acredito que aquilo que é pra ser, vai ser. De repente, voltei a encontrar a graça do esporte. Quem sabe quantas pessoas que não tiveram essa vida no esporte, como eu tive, podem voltar a ser ativas? A reviverem o brilho do esporte? Lembro que, quando eu competia aos 17 anos, imaginava: se eu tivesse um filho, ele estaria aqui, me olhando e dizendo ‘aquele é meu pai’. Quando passei dos 28 anos, achei que, se meu filho me olhasse, iria dizer ‘aquele velho ali é o meu pai’. (risos) Na minha cabeça, aos 28 era o fim de carreira como atleta. E agora, com 40 anos, ainda não tenho um filho, mas eu penso que, se eu tiver o gurizinho, ele vai olhar pra mim e pensar: olha meu pai ali competindo”, aposta.

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