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Meio Ambiente

Margaridas pedem respeito em Dia do Gari

Autor: Redação Diário da Manhã
Margaridas pedem respeito em Dia do Gari
Em Carazinho, a equipe responsável pela varrição é composta apenas por mulheres| Fotos: DM/Isadora S

Responsáveis pela varrição da cidade, funcionárias desabafam sobre preconceito em Carazinho e falam da honra do serviço

Passavam das 10h em Carazinho e a chuva intermitente fez as margaridas se recolherem a uma sala anexa de um posto de combustíveis no Centro da cidade na manhã de ontem. Encostadas em assentos estofados azuis, sem luvas ou suas lixeiras alaranjadas – já abarrotadas aos fundos da pequena repartição –, esperavam o tempo passar para pegar o coletivo das 11h, que as dividiria entre os bairros periféricos que deixaram antes das 5h. Ali, tampouco sabiam que possuíam uma data que honra sua profissão, e muito menos que é comemorada no dia de hoje: o Dia do Gari.

“Eu quero é folga!”, brincou Eliziane de Oliveira, rindo um riso extravagante ao saber da nova e mirando o chefe do grupo, Lauro Oliveira, que se apoiava em uma das paredes. Como outras garis da cidade, ela está há sete meses junto do grupo recém-formado pela empresa Talamini, ganhadora da última licitação para o serviço. Já trabalhou como vigilante, como padeira, mas é varrendo chão que diz fazer o que gosta.

A moça loira de cabelos lisos que fala, alta e com a voz imponente, torna-se o espelho das margaridas que embelezam a Avenida Flores da Cunha e adjacentes todos os dias. Mas também torna-se, junto às outras, o eco de denúncia a uma cidade que quer a beleza sem respeitar os rostos que a levam ao chão. “Se eu fosse pedir um presente de Dia do Gari seria respeito. Valorização. Não são todos, mas tem gente que nos vê e atravessa a rua”, sentenciou Ângela Voigt, de 38 anos, sendo emendada por Maria Jandira Rodrigues, de 49: “Acham que vamos roubar!”

As histórias se repetem entre as oito como que em eco, fazendo-as definir que a sujeira não está no que juntam das calçadas, mas entre os que caminham por elas também. E com pesar relembram da morte de Mara Luciane Macedo, conhecida por Tânia, que se mantém viva na Avenida Flores da Cunha pela própria mãe, que não deixa de levar flores no local em que, há oito anos, foi atropelada durante o serviço.

“E ela não teve culpa”, reiteram quase que em uníssono as margaridas, tentando justificar o óbvio, mas que os calos vindos do desagrado alheio lhes fazem esquecer. “E como é um caso sem justiça ainda, para nós, a sensação de medo aumentou. Na madrugada, quando começamos, só vamos em duas. Não ficamos sozinhas. Se ouvimos um carro correndo, ou cantando pneu, vamos bem no meio da calçada. A gente tem medo”, desabafa Eliziane.

Além do martírio, o comportamento arredio de quem as vê alaranjadas portando suas vassouras e lixeiras as incomoda e até aborrece. Édina não esconde que ama o que faz. Não esconde que os R$ 1,1 mil recebidos por varrer a rua são seu sustento ganho com orgulho e que com ele “ajeitou” a vida. Mas também não esconde o quanto lhe doeu ouvir um dia a chacota “Nossa, a Édina virou lixeira!”, dita por uma conhecida na rua. “Senti vergonha”, lembra. “Mas continuei”. Ao que foi repreendida na outra ponta por Ângela: “Eu tinha é dito algo: Sou lixeira sim! E com orgulho!” E todas concordaram.

Serviço diário

Em Carazinho, são 10 as margaridas – assim chamadas, acreditam, pelo batismo dado pelo ex-prefeito Aylton de Jesus Magalhães, que as comparava a flores pela limpeza da Avenida – que se dividem em vários pontos do Centro da cidade. Duas delas não estavam na sala anexa ao posto, pois se concentravam em outra localidade, enquanto chovia. O serviço é feito apenas pela manhã, e enquanto “a população vira para o lado para mais um sono”, como disse Claudete Floriano, de 52 anos, elas viram mais uma rua para limpar. Aos finais de semana o grupo se divide e cinco realizam o trabalho aos sábados e as outras cinco ao domingo.

Mas não é de todo ruim, reconhecem. Na verdade, nenhuma das margaridas considera ruim. “Só não quero para os meus filhos. Nem que eu trabalhe morrendo para pagar faculdade para eles!”, pontuou Eliziane, mãe de três e casada com um pedreiro. Quanto ao resto, é alaranjadas que se sentem vestidas com a armadura de heroína. Que se sentem visíveis e reconhecidas. Ainda que uns ainda ousem a jogar lixo em suas frentes enquanto limpam a rua, sabem que só o fazem porque as reconhecem.

Não à toa também é assim que recebem o carinho de quem as trata como tal. Édina, por exemplo, espera todos os dias pelo senhor desconhecido que a deseja olá-bom-dia-tudo-bem. Ou as pessoas que acenam de lojas e gentilmente oferecem um copo d’água. Com isso não é que querem ser tratadas com diferença. Apenas demonstram o pedido de ser respeitadas como são: Margaridas.  Não à toa um sinônimo de flor.

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