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Cresce o número de trabalhadores subutilizados

Autor: Redação Diário da Manhã
Cresce o número de trabalhadores subutilizados
Foto: Isadora Stentzler/DM

Mesmo com mais empregos na região, pessoas desempregadas e desocupadas preocupam a coordenação do SINE

Caetano Barreto

Isadora Stentzler

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulgou, nessa semana, o resultado do primeiro semestre da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), e o levantamento aponta que, atualmente, 24,7% da população nacional de trabalhadores está subutilizada, e que esse resultado é o maior registrado nos últimos seis anos. Os subutilizados, que segundo o IBGE hoje totalizam quase 28 milhões, são as pessoas que estão desempregadas, as disponíveis para trabalhar mais horas, mas não encontram essa possibilidade, as que gostariam de trabalhar, mas não procuraram emprego e as que procuraram, mas não estavam disponíveis para o trabalho.

A pesquisa indica que as mulheres são maioria dos desocupados, com 50,9%, e que a taxa de desocupação total do Brasil para o primeiro trimestre foi de 13,1%, mas com diferenças significativas para homens (11,6%) e mulheres (15,0%). Em Carazinho, segundo a coordenadora do Sistema Nacional de Emprego (Sine), Cleunice Magalhães, elas também são maioria na busca por emprego, porém grande parte das vagas ainda prioriza pessoas do gênero masculino. A média, de acordo com a coordenadora, é de que em cada três oportunidades, uma seja adequada para mulheres, conforme requisitos do empregador.

Outra situação que contribui para as taxas de desocupação é a baixa demanda em relação à procura. “O que é uma questão de economia”, justifica Cleunice. “O país vive um momento deliciado e a crise afetou as empresas, que diminuíram o quadro de funcionários, logo estão empregando menos e priorizando profissionais mais qualificados. Temos pessoas com terceiro grau que procuram vagas de serviço geral, por exemplo,”, revela.

O coordenador da Agência FGTAS/SINE de Passo Fundo, Sérgio Ferrari, alerta que o trabalhador em situação de subutilização custa caro aos cofres públicos: “A cidade de Passo Fundo fechou 2017 com 10,800 pedidos de seguro desemprego. Sendo que o pagamento mais baixo é o salário mínimo e o máximo é R$ 1,642, com direito de 3 a 5 meses para receber o benefício, se você calcular só em Passo Fundo uma média de R$ 1 mil para cada pedido, fica um total de R$ 10,8 milhões por mês. Em cinco meses, R$ 54 milhões”.

Falta de capacitação gera desemprego

Outro indicador que aumentou nos primeiros três meses deste ano foi o desemprego: segundo o IBGE, o número de desempregados subiu para 13,1%.em todo país. A taxa evidencia desigualdades: Enquanto o desemprego é de 10,5% entre os brancos, ele chega a 15,1% entre os pardos e 16% entre os pretos. A população parda corresponde a 52,6% dos desempregados no Brasil, embora  corresponda a 47,1% da população brasileira. Os brancos, por sua vez, são 43,3% dos brasileiros e 35,2% dos desempregados. Já os pretos são 8,7% da população do país e 11,6% dos desempregados, segundo dados do IBGE. A PNAD Contínua também relata que 4,1% da força de trabalho ampliada no Brasil desistiu de procurar emprego por não conseguir um trabalho adequado, não ter experiência ou qualificação, ser considerada muito jovem ou idosa, ou não haver trabalho na localidade em que reside.

A dificuldade e a desistência, segundo Ferrari, geralmente tem o mesmo motivo. “Passo Fundo tem um grande problema que é a capacitação do nosso profissional. Como é uma cidade onde as maiores contratações vem do comércio e da prestação de serviço, existem poucos profissionais qualificados, todo mundo faz tudo. Quando há as épocas de alta empregabilidade, as pessoas saíam de um lugar para o outro pelo salário. E quando começou a busca de melhores profissionais, quem não tinha qualificação, nenhuma especialização, as empresas negavam. Eu tenho o caso de uma empresa de Porto Alegre que veio para cá, e já fez três chamadas, a gente entrevistou entre 30 a 40 pessoas, e ela ainda não preencheu o quadro suficiente para se instalar em Passo Fundo”, revelou.

Região Sul é uma das poucas a prosperar

Os estados da região Sul possuem 58,6% da sua força de trabalho ocupada, sendo um dos maiores percentuais entre aquelas em idade de trabalhar no país, enquanto o Nordeste apresentou o menor nível da ocupação (45,9%). Foi também a única região que não registrou crescimento desse índice se comparado ao último trimestre de 2017. Os maiores níveis de ocupação foram nos grupos etários de 25 a 39 anos (72,3%) e 40 a 59 (67,1%). Ferrari revela que a região norte do RS tem avançado nos empregos: “Tivemos o primeiro ano positivo no emprego em 2017, depois de três anos negativos, em que chegamos a ter índices de 12 mil pessoas desempregadas, que foi o topo do desemprego no município. Nós conseguimos diminuir esse índice, e hoje essa estimativa é de 6 a 7 mil desempregados na cidade. Nós evoluímos muito na questão de emprego, abriram muitos postos de trabalho em Passo Fundo, e o mais contribuiu para isso, foi o setor de serviços. Das 1.200 vagas positivas, quase 900 foram só em serviços”.  Já na sede em Carazinho, que acolhe outras nove cidades da região, de janeiro até o momento foram emitidas 740 novas carteiras de trabalho contra 1.121 solicitações de seguro desemprego, com cerca de 30 pessoas por dia cadastrando currículos no sistema na busca por uma vaga.

Parte dessa realidade, Robson de Medeiros Pereira, de 27 anos, cadastrava seu currículo na sexta-feira (18), para uma vaga de motorista. Desde janeiro desempregado e único a trabalhar na família – que conta com sua esposa, estudante de Design de Interiores –, manteve-se com uma reserva do serviço militar e com bicos. Ainda atuou como garçom e segurança, mas pretende uma nova vaga agora.

“Entre minhas contas fixas só tenho o aluguel, de R$ 480,00. Então consegui me manter nesse período. Porém busco um novo emprego para que a renda não fique afetada e mantenha as condições básicas da família”, pontuou.  Natural de Uruguaiana, ele vive há dois anos em Carazinho. Quando cadastrava seu currículo fazia um dia que havia retornado à cidade depois de um passeio na cidade natal. E embora veja os dados da desocupação como críticos, ainda nutre esperança de que Carazinho tem trabalho para ofertar.

Ferrari explica que pessoas como Robson são a atenção principal do SINE: “As pessoas querem voltar para o mercado de trabalho, mas elas não têm qualificação. Nós como fundação, trabalhamos justamente com essa pessoa vulnerável. Mas é difícil. A maioria se acostumou com chão de fábrica, não estão interessados em currículo, em aperfeiçoamento, com nada. E as pessoas acima de 40 anos voltaram a estudar para tentar se qualificar, pois teve setores como o metal mecânico que despediu muito. E essa pessoa demitida, se for trabalhar em outra coisa, ela não tem utilidade e vai ganhar pouco, então ele voltou a se qualificar para tentar ganhar melhor. E a pessoa que é qualificada, e não volta para o mercado, as vezes pela forte concorrência, ela virou Micro Empreendedor Individual (MEI)”, conclui.

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