Esportes

Em busca do sonho

Autor: Redação Diário da Manhã
Em busca do sonho

Isadora Stentzler
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Quando Mathias João de Quadros cruzou a porta de entrada de uma loja de esportes no Centro de Carazinho precisou que a mãe, Rose de Souza, lembrasse que iriam comprar apenas um par de chuteiras para futebol de campo. “Mas olha essa!”, disse com a voz infantil de quem logo completará 13 anos e é apaixonado pelo esporte, “é de futebol de salão, e eu vou começar a jogar salão também!” As pequenas mãos passavam em uma a uma das chuteiras e os olhos refletiam o colorido dos sapatos que iam do preto ao verde fosforescente. Sua vontade era de levar todos. Colecionar pares de variados tipos e marcas. Ter um para cada dia de jogo e treino. Mas lembrando que se tratava de um presente, contentou-se com aquela que fora comprar, sem deixar o sonho de criança inundar a loja e cativar a atenção das vendedoras que não tiravam os olhos do menino pequeno e de sorriso grande.

“É tamanho 35”, pediu, ao ver uma cinza. “Eu gosto da nike, mas aqui não tem nike do modelo que eu quero. Só que essa aqui também é boa”, disse, já tirando os surrados tênis pretos e empoeirados que calçava. Enquanto esperava a vendedora com o modelo e número para ele, olhava as demais. Tirava-as da prateleira e metia nos pés. “Mathias!”, repreendia a mãe, “esse não é do seu tamanho! Coloque lá” E ele obedecia, querendo desobedecer.

O guri estava eufórico e entusiasmado. Sua calça de moletom gasta, com um pequeno furo no joelho e o olhar simples e sofrido da mãe, denunciava que a vida não permitia idas a lojas assim sempre que quisesse. Havia um abismo entre o sonho de jogar futebol e a aquisição de equipamentos que lhe permitissem isso nos poucos 12 anos de vida do garoto. Mas a ousadia, que bem se via no jeito despojado e alegre com que conversava, o permitiram tal luxo na quinta-feira, em Carazinho.

Era um momento ímpar. Mês atrás contava sua história à gerente de uma loja que o colocou em contato com o presidente da Associação Comercial e Industrial de Carazinho (Acic), Jocélio Cunha, e agora dava os primeiros passos a la jogador patrocinado.

E Mathias gostava de lembrar isso aos detalhes. “Foi assim. Eu cheguei e falei: Oi, tudo bom? Eu tô em busca de um patrocínio pra jogar bola, porque cada passo que a gente dá em busca do sonho é um gasto a mais. Eu vendo trufas pra ajudar nos gastos e agora vim pedir apoio para vocês”, reproduziu a conversa.

Sua mãe emendou: “Depois me pediram uma lista do que ele precisava e eu coloquei tudo no papel. Contei a história dele, porque ele não é meu filho biológico, foi um filho que Deus pensou pra mim e me deu, e entreguei com os outros documentos pra Acic. Agora ele vai fazer até curso de inglês!”, destacou.

Mathias foi levado por Cunha até uma reunião-almoço da Acic nesta semana, onde contou sua história de vida marcada por dificuldades e emocionou aos presentes no evento com seu relato.

Infância difícil

Dona Rose não esconde o orgulho que sente do guri, que até pra falar do passado difícil poetiza. Fala de Deus. Fala de presente. E esconde as cicatrizes pra história não vir banhada em lágrimas. Mas sem dela poder fugir.

É o conto de uma criança pobre, rejeitada. Criança com cicatrizes de adulto na alma. Criança que chegou para Rose com mais de um ano, e que no segundo foi vista saindo de uma farmácia carregando um pacote de fraldas por já entender que dinheiro era um problema pra quem começava a conhecer o mundo. O pacote foi devolvido quando Rose percebeu. Não era isso que queria ensinar ao guri. Queria passar valores. E lá pelos 10 anos do menino viu que conseguira quando ele mesmo contou sua história a um transeunte com ecos de maturidade. “Ele disse”, conta Rose com fala mansa, “Eu já fui abandonado pela minha mãe, que foi conhecer o mundo, fui abandonado pelo meu pai, que preferiu as drogas, então não aceito mais perder”.

Mathias sabe bem da sua história. E sabe bem que a mãe Rose, é na verdade avó, mas assim ele se nega a chamá-la. Porque mãe é quem cria, como diz. E a essa mãe ele agradece e se orgulha também.

A ela atribui a conquista da ajuda que ultrapassa os R$ 1 mil e garantiu sua permanência e matrícula em cursos de informática, inglês e escolhinhas de futebol – já que a renda de quase dois salários que só o marido de Rose recebe mal sustenta os três.

Por isso, Mathias os louva. E louva a si mesmo.

Diz que quer ser um tipo Neymar. Porque já se considera um tipo D’Alessandro. “Só que eu sou mais rápido”, elogia-se. E depois de escolher a chuteira, deixa claro que não deixará nada da rotina de vender trufas-estudar-treinar para que dentro e fora do campo sempre seja um jogador camisa sete: lateral direito ou atacante, que “vai e pa-pa-pa-pa-pa, dribla e marca o gol”.

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