Política

Corrida presidencial começa a tomar forma

Autor: Daniel Rohrig

Mesmo taxada de indefinida pelos cientistas políticos, a eleição para presidência da República já apresenta possíveis cenários traçados, conforme aponta a última pesquisa de intenção de votos divulgada

Uma nova pesquisa eleitoral divulgada pelo Instituto Datafolha no último domingo (10), a quatro meses das eleições presidenciais, pode ser interpretada como o cenário mais próximo do que será observado nas urnas em outubro. Da enxurrada de dados acerca do desempenho dos pré-candidatos ao Planalto, alguns nomes chamam a atenção em detrimento de outros, se comparados a números anteriores ou até mesmo com pleitos antecedentes. Em abril, a pré-candidata pela Rede Sustentabilidade a presidência, Marina Silva, dividia a liderança com o pré-candidato pelo PSL, Jair Bolsonaro, quando o nome de Lula não era incluído entre possíveis presidenciáveis. Na nova simulação em que ambos se enfrentam no segundo turno, Marina recebe 42% das intenções de voto em comparação a 32% de Bolsonaro.

Os dados da pesquisa indicam o mesmo contexto nos cenários que envolvem Marina e os pré-candidatos Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB) no segundo turno. A estratégia de se ausentar da opinião pública entre uma eleição e outra pode ter contribuído para a imagem da presidenciável, de acordo com o cientista político, Antônio Kurtz Amantino. “Para o eleitor, parece que a Marina não faz parte do universo político, embora ela faça. Isso faz com que a candidatura dela não sofra tanto desgaste em virtude do descontentamento da população com a classe política. Ela aparece de quatro em quatro anos para disputar a presidência e, nas duas últimas vezes, fez uma votação significativa”, entende.

Após a divulgação dos novos dados, Marina escreveu em sua rede social que a pesquisa é apenas um retrato do momento e que os altos níveis de indecisos e de abstenção devem ser encarados em tom de alerta. “Temos ainda que buscar formas de dialogar com os cerca de 30% de eleitores que poderiam votar em branco, nulo, em ninguém ou ainda não sabem em quem irão votar”, citou. Bolsonaro também se manifestou no domingo sobre os novos números e classificou a pesquisa como “vexame”. No vídeo, o pré-candidato questiona a oscilação de seu nome entre uma pesquisa e outra. “O DataPoder, há poucos dias, me dá lá na frente. E no segundo turno, ganho de todos os demais pré-candidatos com uma larga margem de diferença. Vem hoje o Datafolha, que todos nós conhecemos, falando exatamente o contrário. Datafolha continua pagando vexame e com toda certeza recebendo algo de muito bom de todos os seus patrocinadores”, questionou.

A nova pesquisa do Instituto Datafolha, que inclui o ex-presidente Lula na disputa, coloca o petista em primeiro lugar com 30% dos votos no primeiro turno. Bolsonaro aparece na sequência, com 17% das intenções de voto. Marina Silva está em terceiro, com 10%. Ciro e Alckimin figuram com 6%. Neste contexto, o número de eleitores sem candidatos corresponde a 22% dos entrevistados. No cenário sem Lula, Bolsonaro cresce pouco mas ainda lidera com 19% das intenções. Marina aparece em segundo, com 15%. Ciro soma 10% e Alckmin tem 7%. Aqui, o número de entrevistados sem candidato aumenta consideravelmente e representa 33% dos eleitores. A pesquisa ouviu 2.824 pessoas entre os dias 6 e 7 de junho em 174 municípios. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Duas realidades para Lula

Outro dado que chama a atenção diz respeito a situação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na pesquisa. Preso há dois meses na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, para o cumprimento da pena de 12 anos e 1 mês de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro na Operação Lava-Jato, Lula  mantém o índice mais alto de intenção de voto para a  Presidência da República entre os pré-candidatos com nomes colocados para a disputa. Já na intenção de voto espontâneo, quando os nomes dos potenciais candidatos não são apresentados aos eleitores, 12% citam Bolsonaro como nome escolhido para a eleição presidencial, no mesmo patamar dos que mencionam Lula (10%). Mesmo mantido como pré-candidato pelo Partido dos Trabalhadores a presidência, Lula poderá ter sua candidatura rejeitada pelo TSE em função da Lei da Ficha limpa.

Amantino lista dois fatores que explicam a força do petista nas pesquisas, que tem a maior porcentagem de votos em todos os cenários considerados em um possível segundo turno.  “A primeira é que Lula foi presidente de 2003 até 2010, quando ele pegou uma situação interna muito boa. A economia estava bem estabilizada e ancorada sobre o Plano Real, então isso colaborou muito. O cenário internacional era igualmente favorável nos dois governos, colaborando para a governabilidade. Ele sempre foi um político muito inteligente e colocou em cargos importantes, figuras mais alinhadas ao pensamento de direita do que com a própria esquerda do partido. Outro fato que influencia nestes números é que com o descontentamento tão grande com a classe política, o povo escolhe quem eles entendem que fez mais pela população”, analisa o cientista político.

O presidente do diretório do Partido dos Trabalhadores (PT) de Passo Fundo, Jorge Gimenez, avalia de forma positiva a estabilidade de Lula nas pesquisas. “São praticamente os mesmos índices do início das pesquisas. Ele foi acusado, foi preso e mesmo assim lidera. Inclusive nós entendemos que ele só está preso em função de que solto, venceria a eleição. Há um jogo político pesado contra o Lula, contra o PT. A gente entende que vamos registrar um índice de abstenção muito grande, superando os 30% e nesse cenário, com a porcentagem que o ex-presidente tem, ele poderia ganhar ainda em primeiro turno”, entende Gimenez.  O PT adotará a estratégia de registrar a candidatura de Lula na Justiça Eleitoral e iniciar a campanha tendo o ex-presidente como figura central até que o Tribunal Superior Eleitoral julgue um possível impedimento. Após este resultado, a sigla deve definir os próximos rumos da campanha, segundo Gimenez.

O número de eleitores que se dizem “sem candidato” aumenta em 12% no cenário que não considera a candidatura de Lula na disputa eleitoral, em que a porcentagem dos demais candidatos pouco se altera. Questionado sobre o destino dos votos que seriam de Lula caso ele não possa concorrer, Gimenez crê que eles não sejam absorvidos pelos demais presidenciáveis. “Existem os eleitores do PT e os eleitores do Lula, que são diferentes. Há aqueles que votam na figura do ex-presidente, aqueles que votam no partido ou na própria esquerda. Precisamos que fazer essa diferenciação. Quem vota no PT votará de qualquer maneira, independente do candidato. Agora quem vota no Lula vai permanecer fiel ou provavelmente acompanhará quem ele apoiar”, entende o petista.

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