Agro Diário

Valor do frete gera incerteza no mercado agrícola

Autor: Matheus Moraes
Valor do frete gera incerteza no mercado agrícola
Foto: Arquivo/DM

Indefinição dos preços de carregamento por parte dos caminhoneiros freia venda de produtores, sobretudo após a colheita de soja

O tabelamento mínimo do preço do frete para o transporte rodoviário, tema que envolve discussão em todo o Brasil, já impacta no mercado agrícola. A pauta é discutida entre transportadoras, produtores e sociedade, em razão que foi publicada, reajustada e contestada pelos caminhoneiros. Colocada como uma medida para o acordo com os caminhoneiros durante a greve, o Palácio do Planalto segue com dificuldade para cumprir a medida. Ainda na quarta-feira, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, havia concedido um prazo que se encerra hoje para que a Presidência da República e órgãos do governo se manifestassem sobre a contestação da Associação do Transporte Rodoviário de Carga do Brasil sobre a resolução do frete, promovida pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Para o produtor que necessita diretamente do serviço, o impacto já é sentido na lavoura. O produtor rural Henrique Saggiorato, que trabalha junto do pai, numa propriedade rural de Mato Castelhano, declara que o mercado agrícola está estagnado em razão de que produtores vivem um clima de incerteza quanto a decisão sobre a tabela do frete. “Foi um ponto bem negativo para a classe, porque criou essa incerteza no mercado. Muitas empresas já saíram do mercado”, relata. Voltado para o grão de soja, o produtor relata que existe dificuldade em trabalhar com a venda de grãos e também de compra de insumos e adubos. “Insumos e adubos são as maiores quantidades. Mais que dobrou o custo da empresa em relação ao frete, para levar a soja ou trazer o adubo. Enquanto seguir essa incerteza, as empresas seguirão estagnadas”, acrescenta.

O momento, de acordo com o produtor, é de mercado praticamente parado. Ele afirma que, possivelmente, o valor do frete também deve impactar para o consumidor. “O mercado agrícola está muito parado em consequência disso. O preço deu um peso muito grande para a economia agrícola e para as empresas. Com certeza será repassado aos produtores e também no bolso do consumidor”, pontua Saggiorato. “O frete é repassado na minha venda, acaba que perco em preço de soja, porque o frete fica mais caro de quem compra de mim”, finaliza o agricultor.

Preço da soja caiu em até R$ 10 em estabelecimentos

O presidente do Sindicato Rural de Passo Fundo, Jair Dutra Rodrigues, relata que, no momento, o prejudicado com a nova tabela do frete são os produtores, por isso que será necessário um acordo viável para a categoria, caminhoneiros, ANTT e governo. “Terão que achar um meio termo para não prejudicar de apenas um lado. Hoje, são os produtores rurais, os mesmos que ajudaram na manifestação dos caminhoneiros. O produtor vai ter que intervir”, afirma. Segundo ele, o impacto dos novos valores disponibilizados fez com que houvesse um grande impacto nos negócios em época pós colheita. “Isso inviabilizou a venda da soja. Os cerealistas pequenos tiveram que suspender a compra de soja, porque o dólar subiu e o preço da soja caiu em até R$ 10 reais nos estabelecimentos, pelo motivo de não conseguir carregar o grão”, declara.

A tabela

Os novos valores do frete chegaram a ser divulgados pela ANTT, no fim de maio, e logo foram contestados. No início de junho, no entanto, uma nova versão da tabela foi divulgada pela agência com preços mínimos do frete. A metodologia utilizada para definição dos preços mínimos baseou-se no levantamento dos principais custos fixos e variáveis envolvidos na atividade de transporte. Com a última versão, o ministro dos Transportes, Valter Casimiro, declarou que os preços dos fretes caíram, em média, 20%. Uma das principais alterações da segunda para a primeira tabela, é que a última distribui preços para todo tipo de caminhão, quantidade de eixos e o valor do quilômetro por eixo, ao contrário da primeira, que previa apenas um modelo de caminhão para cada tipo de carga.

O acordo entre governo e ANTT foi contestado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que ingressou com ação no STF para suspender os preços mínimos estabelecidos. O Tribunal Regional Federal da 5a Região (TRF5), do Rio Grande do Norte, por sua vez, acabou derrubando, por meio de uma liminar, a suspensão dos valores mínimos para o frete rodoviário no Brasil. A Advocacia-Geral da União (AGU), entretanto, garantiu que se manifestará no prazo estipulado pelo STF.

Abcam entrega nova tabela para ANTT

Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam) apresentou uma tabela mínima de frete para o transporte rodoviário de cargas do país, nessa quinta-feira (14), para a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O documento, elaborada pela equipe técnica da Abcam, mantém a cobrança por faixa quilométrica percorrida e, diferente da tabela vigente, propõe a diferenciação de tarifa por tipo de veículo. A proposta também corrige as discrepâncias existentes entre certos tipos de carga, a exemplo da carga frigorificada e perigosa que estão com valores inferiores aos da carga geral. O preço mínimo proposto considera um mínimo necessário para que o motorista possa sobreviver sem fragilidade do serviço prestado e de sua condição de trabalho.

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