Saúde

O socorro pede passagem

Autor: Daniele Freitas
O socorro pede passagem
Foto: Daniele Freitas/DM

Negativa de motoristas em abrir caminho para veículos de emergência, além de infringir a legislação de trânsito, pode comprometer o salvamento de uma vida

“Já tivemos ocorrências em que o bombeiro teve que descer do caminhão e dizer: ‘pelo amor de Deus, senhor, vai para o lado porque nós precisamos passar!’”. A recordação é apenas uma das muitas histórias vivenciadas pelo sargento Dagoberto em seus 33 anos de corporação. Comandante de Socorro do Corpo de Bombeiros Militar (CBM) de Passo Fundo, ele não acumula apenas memórias das tantas ocorrências atendidas em mais de três décadas de profissão. Também carrega, consigo, a preocupação constante de chegar ao final do turno com a certeza de que cumpriu a sua missão. Para isso, ele e todo o efetivo precisam de um auxílio externo de extrema importância: a conscientização dos motoristas no trânsito. 

Previsto no Art.189 do Capítulo XV do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), o ato de “deixar de dar passagem aos veículos precedidos de batedores, de socorro de incêndio e salvamento, de polícia, de operação e fiscalização de trânsito e às ambulâncias, quando em serviço de urgência e devidamente identificados por dispositivos regulamentados de alarme sonoro e iluminação vermelha intermitentes” é considerado infração gravíssima, passível de multa. Contudo, muito antes de constar no documento, o gesto de liberar espaço para o fluxo desses veículos passa por uma questão cultural, de educação, de empatia. “Eu peço que a população se preocupe em nos dar a passagem. Se estamos com os alertas visuais e sonoros ligados é porque realmente precisamos passar o mais rápido possível. Alguém está com a vida em risco. Alguém, em algum lugar, está precisando de nós, do nosso serviço, por isso é tão importante essa conscientização”, reforça o Sargento.

Para efetuar um resgate ou salvamento, cada segundo é precioso. Um minuto perdido no trânsito, devido à obstrução da passagem, pode representar, em alguns casos, a transposição da linha tênue entre a vida e a morte. Quem espera sabe bem disso. A cada volta do ponteiro no relógio, um novo filme reproduz-se na mente. É um pouquinho de esperança que se esvai. É o desperdício de uma chance preciosa de evitar sequelas e complicações. “O nosso trânsito em Passo Fundo é bem complicado, mas as pessoas tem que ter essa conscientização: é uma vida que está ali. Para que as pessoas possam ter uma ideia, em um paciente que está tendo um AVC, a cada minuto perdido, são dois milhões de neurônios mortos. No caso do infarto, a cada minuto, o músculo cardíaco morre”, alerta a enfermeira Maristela Silveira Rodrigues.

Em contato diário com a rotina desafiadora de salvar vidas, a enfermeira gestora da Emergência do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) percebe a apreensão dos colegas socorristas com a situação. E não esconde a decepção. “Eles argumentam que às vezes é difícil, que os motoristas não dão passagem. Quem está transportando também sofre com isso. A gente escuta o som da sirene e aquilo demora para vir, principalmente nas horas do rush, no início e no final da tarde. Ambulâncias de outras cidades também relatam essa dificuldade”, lamenta Maristela. A demora gerada pela dificuldade em encontrar empatia no carro da frente pode trazer extensos prejuízos a quem precisa de atendimento médico. “Um minuto perdido ali é um minuto a menos que esse paciente poderia estar tendo um atendimento de melhor qualidade, com mais conforto. Esse minuto pode significar vida ou morte. Ou, então, complicações que poderiam ser evitadas. As pessoas precisam ter essa consciência de que lá dentro daquela ambulância pode ter um bebê de 1kg precisando da UTI Neonatal, um paciente acidentado, com múltiplos traumas, alguém em parada cardiorrespiratória, tendo um infarto ou um AVC, e eu, enquanto motorista, posso estar atrapalhando o acesso dessa pessoa ao atendimento que vai salvar a vida dela”, completa.

Para agilizar ainda mais o socorro, o setor de emergência do HSVP dispõe de uma porta de acesso direto à Sala Vermelha, onde são feitos os primeiros atendimentos dos pacientes trazidos pelas ambulâncias. Ali, a vítima recebe todos os cuidados necessários para que seja estabilizada, antes de ser encaminhada para outro local. “Estamos sempre preparados para qualquer coisa, já nos dividimos e atendemos o mais rápido possível”, afirma Maristela. Muito antes, no entanto, da realização dos exames e do atendimento especializado, o caminho a ser percorrido é longo – nem tanto pela distância física, mas pela dificuldade de aproximação com a dor do outro. “O que nos parece é que as pessoas andam no trânsito muito distraídas ou muito compenetradas nos seus problemas. Às vezes, você está ouvindo o som da ambulância longe e não se dá conta de que você faz parte daquilo ali. No momento em que ouve a sirene, você já pode começar a ir para o lado, a pensar no que fazer para ajudar a passagem daquela ambulância”, salienta a coordenadora médica da Emergência do HSVP, Dra. Luciana Renner.

O tráfego fica ainda mais complicado em ruas estreitas, caso da XV de Novembro – um dos acessos utilizados pelos veículos de resgate para chegar ao setor de emergência do Hospital São Vicente de Paulo. “Na rua Uruguai, também, é horrível! Às vezes, a ambulância chega a ficar dez minutos presa, porque ninguém abre espaço. O motorista tem que ter essa conscientização de que não é só ele que está ali no trânsito, de que não é só o seu problema. É uma vida que está ali na esquina, a cem metros do hospital, e que não consegue chegar porque não dão espaço. Na Avenida Brasil, é um pouco mais fácil, porque é uma via mais larga, mas os grandes problemas são as ruas mais estreitas. E as pessoas parecem desligadas, não se dão conta de que já poderiam ter viabilizado aquela passagem. Temos que olhar mais ao nosso redor. Estamos muito presos à nossa situação e esquecemos que não estamos sozinhos na via pública”, argumenta a Dra. Luciana. O tamanho da via é um problema alertado também pelo soldado Elton Alves Lobo, do CBM de Passo Fundo. Com experiência de seis anos na corporação, ele já enfrentou situações, especificamente em pontos nos quais o semáforo está fechado, de não conseguir a passagem para o veículo de resgate. “O caminhão é mais complicado, porque ele é maior, mais largo, e precisa de uma pista toda. Mas a ambulância é menor. Se um carro abrir para a direita e o outro para a esquerda, já conseguimos passar pelo meio”, indica.

Condições que exigem socorro rápido

Em 2018, até o mês de junho, o setor de Emergência do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) registrou 36.405 atendimentos. Entre as condições que demandam que a vítima seja trazida com agilidade para a instituição médica, a mais prevalente no período foram as doenças respiratórias, representando 12,23% dos casos.  “Registramos 4.452 pessoas com insuficiência respiratória, quando há muita falta de ar e o paciente precisa de oxigênio. Se não colocar esse oxigênio, a pessoa vai evoluir para uma insuficiência respiratória grave e terá uma parada respiratória. Ou seja, ela pode morrer. Essa é a nossa maior incidência de pacientes que devem ser trazidos com bastante rapidez”, revela a enfermeira Maristela Silveira Rodrigues. O índice inclui pacientes de todas as faixas etárias.

Na sequência, os traumas apareceram em segundo lugar na lista. Conforme a enfermeira gestora da Emergência do HSVP, foram 1.828 pessoas socorridas com essa condição. Geralmente, o índice abarca pessoas jovens e adultas. “Como Passo Fundo é uma rota de ligação entre importantes rodovias, há acidentes e politraumas graves. Se esse paciente não for conduzido e trazido com rapidez para ser atendido, para ter a via área permeável, para que ele seja restabelecido, que seja contida alguma hemorragia ou feito algum tipo de cirurgia rápida, ele terá sequelas que impedirão uma vida produtiva ou mesmo virá à óbito”, explica. A terceira condição mais incidente foi a queda de altura, comum em acidentes de trabalho. “Ou, então, a pessoa subiu no telhado e caiu, subiu em uma árvore e caiu... isso acontece bastante com idosos. A pessoa fratura fêmur, tórax, tem o trauma cranioencefálico (TCE). Se não for atendido rápido, esse paciente tende a ter algum tipo de complicação, que poderia ser evitada”, ressalta Maristela.

As cardiopatias ocuparam a quarta posição na lista de condições que necessitam de atendimento urgente. No primeiro semestre deste ano, foram 644 registros. “Aí, aparece o IAM, que é o Infarto Agudo do Miocárdio. Já houve casos de parada cardiorrespiratória em que, mesmo com o atendimento muito rápido, não teve condições de reversão. Às vezes, dependendo da situação, não tem mais volta. Por isso, imediatamente apresentando os sinais e sintomas, essa pessoa precisa receber o atendimento”, adverte. Por fim, os acidentes constaram no quinto lugar, somando 1,70% do total de atendimentos. “Temos, aí, os acidentes envolvendo carro e motocicleta, com maior incidência em Passo Fundo, e, recentemente, verificamos um aumento no número de atropelamentos, principalmente de idosos e adultos. Essas pessoas também sofrem trauma torácico ou politraumas e o atendimento precisa ser feito o mais rápido possível. Outro tipo de acidente que acontece com frequência é aquele registrado na região rural, com tratores, colheitadeiras ou máquinas de moer cana. Como atendemos toda a região, esses pacientes chegam de diferentes formas. Sabemos que, quanto melhor esse paciente for atendido no local, maior a chance de sobrevivência. É muito importante a forma como ele é atendido e, depois, a agilidade com que é transportado para o serviço de saúde”, aponta a enfermeira.

O caso do Acidente Vascular Cerebral, citado anteriormente na reportagem, também demanda rapidez no atendimento. A janela de tempo, após o surgimento dos primeiros sintomas, é de até quatro horas para que o paciente tenha acesso ao tratamento de reversão. “Se o paciente que está com AVC demorar meia hora, uma hora, isso repercute muito na condição de ele poder receber um tratamento que vai dissolver aquele trombo e deixá-lo sem sequelas. Dependendo do tempo, esse paciente já não entra mais no protocolo. No caso do infarto, se a pessoa demorar para ser atendida, se não houver tempo de ser transferida para a hemodinâmica para colocar uma molinha que restabeleça a circulação, ela perderá o músculo cardíaco, provavelmente terá que ir para a cirurgia ou pode até mesmo morrer”, reforça Maristela. O desejo de oferecer um atendimento ágil e que possa salvar uma vida é também compartilhado pela coordenadora médica, Dra. Luciana Renner. “Sempre dizemos que cérebro é vida. Quanto mais tempo aquele cérebro ficar sem perfusão, sem oxigenação adequada, mais ele morre e mais sequelas teremos nesses pacientes. Então, a agilidade é importante nesse sentido. O objetivo do atendimento de um paciente grave é sempre o cérebro e o coração. Quanto antes ele chega para o atendimento avançado, que é o hospitalar, menores são as chances de complicações e maiores as de sobrevida. Nós queremos poder salvar de uma forma efetiva esses pacientes”, finaliza.

A tão temida multa

A realidade enfrentada diariamente pelos profissionais que atuam nos veículos de resgate não deixa margem para algo diferente da agilidade. Além de correr contra o tempo, precisam rezar para que, no caminho, esbarrem apenas com motoristas conscientes. “As nossas ocorrências, em si, são todas de urgência. Quando deslocamos do quartel com o caminhão e a ambulância é sempre no sentido de salvar uma vida ou preservar um bem imóvel, no caso de incêndio. O que acontece quando transitamos pela cidade é que as sinaleiras, às vezes, estão em sinal fechado e as pessoas, algumas por não saberem a regra de trânsito ou até por medo ou pânico, param e não deixam as nossas viaturas passarem. Esse é o nosso maior problema. A gente liga a sirene, o alerta, tudo, mas algumas pessoas não saem da frente, parece que travam, que não conseguem reagir, não saem do lugar”, relata o Comandante de Socorro do Corpo de Bombeiros Militar (CBM) de Passo Fundo, Sargento Dagoberto.

De acordo com ele, o bloqueio no trânsito determina um tempo-resposta (período entre a saída do quartel e a chegada na ocorrência) maior por parte dos bombeiros. No caso de acidentes de trânsito, com vítimas presas às ferragens, esse tempo-resposta precisa ser o mais rápido possível. “Muitas vezes, não sabemos como está essa vítima lá, se está consciente ou não, se necessita de mais algum apoio ou não. Por isso, sempre coletamos o maior número de dados possíveis quando recebemos um chamado para atender a uma ocorrência. Se o deslocamento for muito longo e tivermos esse tempo parados no semáforo ou em qualquer outro local, dificulta bastante o nosso trabalho. Em média, dentro da cidade, o nosso tempo resposta é de quatro a cinco minutos, o que é bom. Quanto mais cedo chegarmos, mais rápido essa vítima recebe atendimento”, destaca.

A principal justificativa apresentada por condutores para não ceder espaço aos veículos de resgate é a multa gerada pela infração de trânsito cometida – na maioria dos casos, o avanço do automóvel com o sinal vermelho. No entanto, segundo o chefe da Guarda Municipal de Trânsito, Ruberson Stieven, os motoristas que cometem uma infração para dar passagem a esses veículos de emergência não são sequer notificados. “O sistema passa por uma triagem e essas autuações não são alimentadas no sistema quando é constatado que o motorista cedeu passagem para uma ambulância. Agora, existe também a questão de pessoas que, muitas vezes, usam esse argumento e, durante a triagem, é apurado que não teve passagem de ambulância ou veículo policial. Há motoristas que tentam usar esse recurso para se livrar de uma multa que tenham tomado por ter avançado o sinal vermelho. Existem esses dois lados. Por isso, há que se ter uma avaliação muito criteriosa quanto a isso”, esclarece.

Se, por ventura, o condutor que oferecer passagem a uma ambulância, cometendo uma infração de trânsito, for notificado, ele pode procurar a Secretaria de Segurança Pública para uma reavaliação pela equipe de triagem. “Se for constatado que esse motorista realmente deu passagem para uma ambulância, obviamente essa infração não será alimentada. Também é importante que as pessoas deem essa passagem da maneira correta, ou seja, retirando o veículo da frente da ambulância, de forma perpendicular, e permanecendo no local. Se for necessário, ele deve avançar para cima da faixa de pedestre ou da calçada, enfim, achar um espaço para que o veículo de emergência passe, mas deve permanecer no local até o sinal ficar verde. Acontece que, em muitos casos, as pessoas veem a ambulância, lá na metade do quarteirão, e o condutor simplesmente avança e vai embora. Aí, para quem está fazendo a triagem, fica difícil. É importante deslocar o veículo, atravessá-lo na pista, para que a triagem perceba que esse condutor está fazendo uma manobra diferenciada e não está avançando no sinal porque quer, mas por uma emergência. É isso que orientamos a fazer”, explica Stieven.

Na avaliação do chefe da Guarda Municipal de Trânsito, o ato de não dar passagem aos veículos de resgate sob a justificativa de ser multado em virtude da fiscalização eletrônica é algo que não procede. “O motorista também corre o risco de ser autuado por não dar passagem. Se isso for constatado por um agente de trânsito ou um policial militar, ele também poderá ser notificado. Não dar passagem é uma infração. As pessoas não estão levando em consideração isso. Tem que se dar lugar, sim. É uma obrigação. Até porque, muitas vezes, o veículo de emergência está transportando uma pessoa em situação na qual há necessidade de um atendimento o mais rápido possível. Há, também, a questão humana, social, de entender que alguém precisa muita daquela ajuda, tem que ter essa consciência também”, lembra.

O pedido por conscientização no trânsito é reforçado pelo Corpo de Bombeiros. “Pelo Código de Trânsito, em caso de urgência, os condutores têm que nos dar passagem. Só fazemos isso porque necessitamos passar mais rápido, temos uma vida a salvar ou um bem a proteger. No caso de um incêndio em uma casa de madeira, por exemplo, em cerca de cinco ou seis minutos, ela está totalmente destruída. O pessoal tem muito medo das multas, por isso, geralmente, eles não dão passagem, não querem avançar o sinal. Mas temos um controle de ocorrências aqui que, caso o motorista seja notificado, ele pode vir até o quartel e pedir um documento nosso. Assim, a multa será revertida no departamento de trânsito. Nós liberamos o papel da ocorrência para isso, é um procedimento simples”, argumenta o Sargento Dagoberto. O desconhecimento dessa possibilidade é, também, um fator importante que prevalece no comportamento dos motoristas no trânsito. “É algo que já melhorou com o tempo, essa conscientização, mas ainda existe o medo da multa. Acho que muita gente não sabe que pode vir aqui buscar o documento, caso seja notificado. É falta de informação também”, afirma o soldado Elton Alves Lobo.

Muito além de uma multa, de uma questão financeira, a atuação de uma equipe de socorro lida com algo muito mais importante, delicado e que possui valor, não preço: a vida humana. Algo tão precioso e tão único que pode ser colocado em xeque por um pensamento materialista. Não há sequer ponto que permita a comparação. A vida deve – ou, pelo menos, deveria – ser prioridade. Sempre. “É preciso deixar de lado o egoísmo de pensar em uma possível multa. Talvez, um caminho seja facilitar os trâmites, porque nem sempre as pessoas têm tempo de ir atrás da ocorrência para reverter a notificação. Quem sabe algo pela internet. Enfim, que as pessoas não tenham essa desculpa, esse argumento para não ajudar a salvar uma vida. Quando o motorista abre espaço no trânsito para a passagem de um veículo de resgate, ele pode estar ajudando alguém que ele ama. Não se sabe quem está ali na ambulância ou em algum local aguardando aquele atendimento. É questão de solidariedade, de empatia. Isso tem a ver com cultura, com educação, com pensar no outro. Numa dessas, eu posso estar naquela situação e aí eu vou querer o direito de ter atendimento rápido”, defende a enfermeira Maristela Silveira Rodrigues.

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