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Censo agropecuário aponta aumento de 56% na atividade leiteira

Autor: Anderson Favero
Censo agropecuário aponta aumento de 56% na atividade leiteira
Foto: Divulgação

Estudo divulgado pelo IBGE também revela concentração de renda no meio rural de Carazinho

Há 22 anos, a família de Aldemir Hammel, de 53 anos, viu na produção leiteira a melhor alternativa para obter renda na propriedade de 15 hectares, localizada no Distrito de Pinheiro Marcado, a 30 quilômetros do Centro de Carazinho. Desde então, ele, a esposa Noemi Hammel, 52, e a mãe Neli Hammel, de 74, vem investindo muita dedicação e força de trabalho à atividade. Entretanto, foi somente há cinco anos que eles viram todo esse esforço resultar em maiores lucros.

Na ocasião, Aldemir foi em busca de uma consultoria especializada a fim de aprender a gerenciar melhor a produção. “A consultoria foi um divisor de águas para nós, porque a partir das informações que recebemos, pudemos nos orientar com mais sabedoria em relação aos investimentos e, consequentemente, aumentamos nossos lucros. Prova disso é que após a consultoria, nossa produção leiteira mais que dobrou, passando de 200 litros por dia para 500 litros/dia”, conta Aldemir.

No total, a família que já conta com a ajuda do pequeno Murilo, de 11 anos, na lida, filho de Aldemir e Noemi, mantém 25 vacas produtoras de leite e mais 35 animais entre novilhas e terneiros. Diariamente, o produto é comercializado para um laticínio de Estrela e, até o final do ano, a expectativa de Aldemir é para que a produção chegue a 700 litros por dia.

- Para nós que somos pequenos produtores e não temos uma grande área de terra para a lavoura, o leite acaba sendo a melhor possibilidade de trabalho. Além disso, nós mesmos fazemos toda a mão-de-obra, sem precisar de terceiros. Claro que o mercado do leite tem seus períodos de baixa, mas ainda assim temos sido prósperos em nossos negócios - enfatiza o produtor.

Censo revela crescimento na atividade

Além de Aldemir, outros 123 agricultores se dedicam à produção leiteira no município. Juntos, eles produzem cerca de 5 milhões de litros de leite. A atividade, nos últimos 11 anos, teve um crescimento de 56% em Carazinho. Esses e outros dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apresentou os resultados do último censo agropecuário, realizado entre os meses de outubro de 2017 e fevereiro de 2018 em todo o território nacional.

- Em 2006, quando foi realizado o censo agropecuário anterior, o município produzia 2,8 milhões litros de leite. Nesse censo, entretanto, identificamos esse considerável aumento, o que evidencia que a atividade está em expansão em Carazinho - avalia Thiago Strey Soares, que atua na agência do Instituto no município e coordenou a pesquisa na região.

Esse crescimento, segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de Carazinho, Elio Bernardi, tem relação com a mudança nas relações de trabalho dentro das propriedades. “O que houve nesse período de quase 11 anos foi uma considerável melhora na qualificação dos produtores. Hoje em dia não temos mais aquele tirador de leite esporádico, mas sim um profissional que se dedica integralmente a esta função. Além disso, outro fator que melhorou foi a genética dos animais, que agora produzem mais leite e com melhor qualidade. Também cito os processos que envolvem a elaboração da silagem, do feno e a própria ração oferecida ao rebanho, que igualmente melhoraram nesse período”, explica.

Já a engenheira agrônoma da Emater, Ana Clara Vian, acredita que o crescimento da bacia leiteira do município se deve ao fato de que esse tipo de produção acaba sendo a atividade mais viável no atual contexto para as pequenas e médias propriedades.

Incentivos

Da parte do poder público, o incentivo se dá através de um convênio firmado entre a própria Emater e a Secretaria municipal de Agricultura, conforme explica Aldrin Keyser, que responde pela pasta. “É claro que esse crescimento na produção de leite resulta de uma soma de fatores, como o melhoramento genético dos animais, pastagens com maior valor nutricional, entre outros. Contudo, ano após ano, essa parceria entre a Secretaria de Agricultura e Emater também colaborou para esse crescimento. Isso ocorre através do fomento à assistência técnica, incentivo de novas tecnologias e pela realização de cursos. Acreditamos que esse repasse de informação é de grande importância para a expansão da atividade”, pontua.

Ele também cita relação com o fato dos produtores buscarem novas alternativas para incrementar a renda. “Com base em nosso trabalho, notamos que o que ocorre nesse caso é que os produtores, muitas vezes, precisam aumentar sua escala de produção a fim de obter melhor remuneração. Então, dentro das pequenas e médias propriedades, a produção leiteira acaba sendo a atividade mais viável nesse contexto”, opina.

Muita terra nas mãos de poucos

Outro resultado apontado pelo censo agropecuário que chama atenção em Carazinho é a divisão de terras no município, onde há uma concentração de áreas nas mãos de grandes produtores. “Identificamos no município 342 estabelecimentos agropecuários distribuídos em 59.394 hectares. Desse total, 40 estabelecimentos tem cerca de 500 hectares ou mais de área, então, se fizermos uma projeção notamos que 29.777 do total de áreas produtivas do município estão concentradas nas mãos desses 40 proprietários, o restante acaba sendo distribuindo entre os demais”, explica Soares.

Para o secretário municipal de Agricultura, a concentração de terra entre um número reduzido de pessoas, a exemplo do que ocorre no restante do país, é histórica no município. Entretanto, o poder público vem incentivando o crescimento de pequenos e médios produtores no sentido de minimizar essa diferença.

- Através da Feira do Produtor que foi retomada neste ano após um longo período sem ser realizada, buscamos criar alternativas para que essa parcela de produtores possa produzir mais e, consequentemente, aumentar a lucratividade dentro de suas propriedades. E a Feira cumpre esse papel, ainda mais se pensarmos que 80% dos produtos comercializados não possuem nenhum tipo de agrotóxico. Isso agrega ainda mais valor a este segmento”, pontua.

Aumento no número de estabelecimentos rurais

Nesse contexto, a pesquisa do IBGE também indicou um pequeno aumento no número de estabelecimentos agropecuários no município na comparação com a última pesquisa, realizada em 2006.

Naquela ocasião, Carazinho possuía 312 instalações agropecuárias, agora, esse número é de 342. O aumento tem relação com possíveis divisões de terras feitas nos últimos 11 anos. “Esse aumento tem relação com a divisão de terras, provavelmente a partir do falecimento de agricultores que tiveram suas áreas divididas entre os filhos. Mas podemos dizer que se trata de um número que permanece estável, já que não chega nem a 10%”, esclarece Thiago.

Outro dado destacado pela pesquisa conduzida em Carazinho é que do total de terras destinadas à atividade agropecuária 85% estão nas mãos de seus proprietários. O restante é arrendado para terceiros. “Ainda temos os estabelecimentos sem área que, em sua grande maioria, são produtores de mel e que não possuem área própria. Por conta disso, colocam suas caixas de abelha em outras áreas, mas que também tem uma atividade de extração e que resulta em renda”, afirma Soares.Vale ressaltar que o IBGE entende como estabelecimento agropecuário toda unidade de produção ou exploração dedicada, total ou parcialmente, a atividades agropecuárias, florestais e aquícolas.

Defensivos

Sobre o uso do defensivo agrícola, a pesquisa constatou que em 2006, quando Carazinho possuía 312 estabelecimentos agropecuários, 260 proprietários faziam uso do produto em suas propriedades. Hoje, com 312 estabelecimentos, o defensivo aparece em 304 locais. Um aumento pouco significativo do ponto de vista estatístico.

Maiores destaques

Entretanto, o grande destaque dentro dos estabelecimentos rurais do município continuam sendo as culturas do milho, trigo e soja. O milho aparece em 99 estabelecimentos agropecuários, ocupa uma área de 4 mil hectares e tem uma quantidade de produção estimada em 42.769 quilos. Já a soja é produzida em 274 propriedades numa área que compreende 41.898 hectares, com a produtividade estimada em 172 milhões de quilos. O trigo, por sua vez, aparece em 59 locais com uma produtividade de 14.360 milhões de quilos espalhados em uma área de 4.349 ml hectares.

Agricultor conectado

O censo agropecuário também identificou um significativo aumento no acesso à internet por parte dos produtores brasileiros, com um aumento de 1.700% do último censo para esse, principalmente pelo smartphone. Nos estabelecimentos rurais de Carazinho, foram identificados 335 telefones celulares e 221 produtores navegam na internet. Além disso, 108 utilizam e-mail. Entre os tipos de conexão, 97 usam banda larga, 193 são de internet móvel e dois utilizam a internet discada por linha. No último censo, conduzido em 2006, apenas 30 pessoas ligadas aos estabelecimentos rurais do município navegavam na internet.

Importância da pesquisa

Segundo Soares, os dados coletados são relevantes porque podem ser usados pelo governo federal para estabelecer novas políticas públicas para o setor. “Tendo por base a produção da soja em Carazinho, podemos pensar em como escoar a produção de maneira mais eficaz, por exemplo e, consequentemente, como agregar valor à cultura. Então, esses dados são de grande relevância e servem para o governo se basear na elaboração de políticas públicas voltadas à economia das regiões, diz.

A área de atuação da agência do IBGE em Carazinho é composta por 14 municípios. “Neste censo, todos os estabelecimentos responderam a pesquisa. Não houve recusas. O produtor nos recebeu muito bem e gostaríamos de agradecê-los pelas informações repassadas. Com a informatização do processo, hoje em dia a divulgação dos resultados é bastante rápida”, relata Soares.

No país, a pesquisa rural foi conduzida com o trabalho de 18,8 mil recenseadores. O questionário que originou a conclusão dos dados foi aplicado no período de 1o de outubro de 2016 a 30 de setembro de 2017. Ou seja, tudo que foi produzido, cultivado e criado neste período foi pesquisado.

Presença de animais nos estabelecimentos agropecuários de Carazinho

aves: 7.142

suínos: 1.416

ovinos: 2.139

muares: 5

equinos: 387

caprinos: 56

bovinos: 9.184 cabeças

Faixa etária dos proprietários de estabelecimentos agropecuários

2006

de 25 a 35 anos – 23

35 a 45 – 64

45 a 55 – 95

55 a 65 – 73

65 a mais – 52

2017

menor que 30 anos – 6

de 30 a 60 anos – 193

60 ou mais – 128

 

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